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domingo, 24 de maio de 2009

"Difícil de engolir"

COMENTÁRIO:
Esta charge do Chuck Asay no Colorado Springs Gazette demonstra um pouquinho as dificuldades que o "super" Obama vai ter pela frente na tentativa de implantar o "American SUS".
Evidentemente que as empresas de seguro-saúde e toda a máquina envolvida no negócio não vão entregar o osso assim tão facilmente.
Em suma, traduzindo (mais ou menos) o que está escrito aí, é o seguinte:

O título: "É um pouco difícil de engolir"
- "Em 1965 os cálculos atuariais do Congresso, estimavam que o Medicare (seguro saúde público) estaria custando U$ 3 Bi por volta de 1970"

- "Em 1969 esta estimativa foi revisada para U$ 5 Bi, porém de fato custou 6,8 Bi"

- "Hoje em dia os custos do Medicare são de U$ 455 Bi e continuam crescendo!"

- " Agora vamos conversar um pouco sobre a opção de Obama de um novo plano "público" de saúde"

A moral da história é a seguinte. NÃO PASSA NA CABEÇA DO NORTE AMERICANO "TÍPICO" receber cuidados gratuitos (pagos pelo governo) de saúde.

No filme Sicko, tem uma cena emblemática. O Michael Moore está reunido com um grupo de americanos que residem na França. Eles estão contando para ele as inúmeras vantagens do sistema francês de cuidado social. Em um dado momento, uma das mulheres diz a ele que ela "se sentia culpada" por estar tendo acesso a tantas coisas (entre elas um sistema público de saúde) sem ter que pagar por isso.

Esta culpa aumentava quando ela se lembrava dos pais que moravam nos EEUU e que não haviam conseguido tudo isso mesmo após muitos anos de trabalho.

Na cabeça do americano típico, "wellfare state" não é uma coisa "típica americana". Além do mais, em um sistema brutalmente capitalista, não passa na cabeça do cara pensar que é IMORAL o lucro que as operadoras de saúde tem em explorar a doença dos outros...

Enfim: se eles gastam 455 Bilhões de dolares ano, é porque gastam mal. O gasto público de saúde nos EEUU é um gasto com PLANOS DE SAÚDE. Não existe um sistema público. existe o pagamento/reembolso de despesas médicas. Ou seja: o custo se refere aquelas ocasiões quando se precisa recorrer ao serviço de saúde. Em outras palavras, no episódio agudo, sem política de prevenção, remunerando a demanda espontânea. Prato cheio para as operadoras de seguro saúde. "Business is business". Um negocião pra ninguém botar reparo!

Por isso o custo explosivo e crescente. Basta lembrar que o nosso PAB (Piso da Atenção Básica) "custa" (na parte federal) R$ 10,00 a 18,00/habitante/ano. Supondo que a parte financiada por estados e municípios dobrasse esta conta, teríamos R$ 36,00 POR HABITANTE E POR ANO!

Com R$ 36,00/hab/ano nós temos programas públicos de vacinação, combate a Diabetes e Hipertensão, rastreamento de cancer, combate à desnutrição e mortalidade infantil...etc etc etc etc.

Que venha o "American SUS"!

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