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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Modelo de tratamento dos Caps nem sempre funciona

GP Online

Hoje a política nacional antidrogas estabelece que o tratamento dos dependentes químicos deve ser feito nos Caps – Centro de Atenção Psicossocial. Em Curitiba, por exemplo, a desintoxicação é feita nos Centros Municipais de Urgência, hospitais de média complexidade. Somente nos casos em que o paciente oferece risco à própria vida ele é encaminhado a hospitais psiquiátricos. Há apenas 145 leitos nesses locais. Essa é uma das críticas de familiares e especialistas. Como um usuário crônico de crack vai buscar ajuda se as alternativas que tem são o meio aberto, onde o contato com as drogas permanece, e as vagas em hospitais psiquiátricos são escassas?

Conforme esclarece a coordenadora de saúde mental da prefeitura de Curitiba, Cristiane Venetikides, a lei da reforma psiquiátrica estabelece que a chamada internação compulsória deve ocorrer somente em casos extremos. Esse tipo de procedimento deve, inclusive, ser informado ao Ministério Público. Ela ressalta que o tratamento de dependentes químicos é feito individualmente e que não há receita mágica para cada um.

“Depende do tipo e da quantidade de droga, por exemplo”, explica. “Há pacientes que conseguem a abstinência somente frequentando os Caps, outros precisam de um leito psiquiátrico e outros que precisam ficar em comunidades terapêuticas. Mas nada vai funcionar se o paciente não quiser.” Cristiane lembra que mesmo nas comunidades terapêuticas há a necessidade de se fazer o tratamento médico porque é considerado uma ação complementar.

Mas, para algumas famílias, como as consequências do uso de drogas foram tão devastadoras, a única saída para o usuário é o afastamento desse meio. E elas esbarram na falta de vagas. Clínicas particulares chegam a cobrar R$ 11 mil por um período de tratamento. As alternativas acabam sendo as comunidades terapêuticas, que geralmente são organizações não governamentais. Algumas prefeituras até mantêm convênios para garantir atendimento, mas a falta de vagas também é constante.

O presidente da Associação das Comunidades Terapêuticas de Curitiba e Região Metropolitana (Compacta) e coordenador da Casa de Recuperação Água da Vida (Cravi), psicólogo Flávio Roberto de Almeida Lemos, avalia que o problema de atendimento na área da dependência se deve em parte à própria política antidrogas do governo federal. “Estamos em um processo de ‘desospitalização’”, lembra. “O Brasil só propõe uma forma de tratamento e acho isso ridículo. Por exemplo, o sujeito é um usuário de crack comprometidíssimo. Você acha que o Caps vai funcionar para ele? O Caps só funciona para aquele usuário moderado, leve. O governo desassistiu o usuário de drogas.”

COMENTÁRIO: O que o eminente psicólogo Flávio Roberto de Almeida Lemos pretende, é que o governo adote as práticas terapêuticas das "Comunidades Terapêuticas".

Não vou aqui generalizar, mas são conceitos diametralmente opostos. O indivíduo "detido para tratamento" em comunidade terapêutica passa pela terapia do "cabo da enxada", lavagem cerebral com "fundamento bíblico", isolamento e alienação da comunidade onde vive.

Estará protegido e seguro enquanto recluso.

Não me parece ser o caminho, embora não se possa radicalizar neste tema, principalmente diante da incapacidade do Estado em prover minimamente a atenção em saúde mental nos CAPS, ou Hospitais-dia.

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