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quinta-feira, 28 de maio de 2009

MS capacita profissionais para atender mães e bebês

Portal da Saúde MS

Curso ensinará condutas no atendimento das emergências obstétricas a 574 médicos
e enfermeiros, que poderão reproduzir o que aprenderam em atividades realizadas nos estados

O Ministério da Saúde (MS) oferecerá um curso baseado em parâmetros internacionais que possibilitam uma assistência humanizada ao parto. Por meio do treinamento de médicos e enfermeiros de todo o Brasil, a proposta é reduzir tanto as mortalidades materna e infantil quanto as complicações pós-parto nas mães e nos bebês, bandeiras do Dia Nacional pela Redução da Mortalidade Materna, comemorado nesta quinta-feira, 28 de maio. O governo federal capacitará 574 médicos e enfermeiros no atendimento de emergências obstétricas ainda neste ano. O curso de Suporte Avançado de Vida em Obstetrícia (Also) ensinará temas que vão desde as complicações clínicas da gravidez, passando pela hemorragia no fim da gestação e pelo trabalho de parto prematuro, até a metodologia para informar as mães sobre óbitos e complicações no bebê.
A primeira turma, composta por 24 profissionais, começará as aulas no dia 11 de junho, em Porto Velho (RR). Posteriormente, outras turmas serão treinadas nos estados do Pará, Rio de Janeiro, Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Ceará e no Distrito Federal. Os participantes foram indicados pelas Secretarias Estaduais de Saúde. No próximo ano, outros 420 profissionais serão capacitados. A coordenadora da Área Técnica de Saúde da Mulher do MS, Lena Peres, ressalta que, do primeiro grupo de 574 alunos, sairão 70 instrutores com a missão de reproduzir o conteúdo em seus estados. “Todos os participantes são atuantes na rede. Por meio dos instrutores, a capilaridade do curso será muito maior. Inicialmente, serão mil capacitados, mas esse número aumentará ao longo do tempo”, afirma Lena.

REFERÊNCIA - Os protocolos do Also já foram adotados pelo Hospital Santa Marcelina de São Paulo. A unidade – junto aos hospitais Santa Marcelina do Itaim Paulista, Municipal Cidade Tiradentes e Santa Marcelina de Itaquaquecetuba - realiza cerca de 1.200 partos por mês. Desde 2000, quando essas instituições adotaram os procedimentos do Also, a taxa de cesárea caiu de 38% para 15%, passou de 456 para 180 partos cesarianos por mês. No Brasil, a taxa média de cesáreas no SUS é de 35%. No ano passado, de 1,97 milhão de partos realizados na rede pública, 654.685 foram cesarianos, o equivalente a 33,24% do total. Para atingir o percentual aceitável (15%) pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil deveria ter realizado, no máximo, 295 mil cesáreas em 2008.

Marcos Ymayo, coordenador do curso Also no Brasil e supervisor Médico da Saúde da Mulher do Hospital Santa Marcelina, considera os procedimentos do curso fundamentais para a qualidade no atendimento obstétrico. Ele cita, por exemplo, o caso do parto pélvico (quando a criança está sentada na hora do nascimento). Nessa situação, há grande risco de hemorragia pós-parto, uma das principais causas de morte materna, e os médicos geralmente indicam o parto cesariano. “O ideal nesse caso é fazer a cirurgia. Mas quando a mãe chega em cima da hora e não dá mais tempo de realizar esse procedimento, o Also oferece um protocolo para liberar a criança por meio do parto normal, diminuindo as chances de complicações”, explica o coordenador.

PACTO – A oferta do curso de Suporte Avançado de Vida em Obstetrícia (Also) integra tanto o Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal quanto o Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil, lançados em março de 2004 e abril de 2009, respectivamente. De acordo com os dados de 2006 do Ministério da Saúde, a taxa de mortalidade materna no Brasil é de 55,1 por 100 mil nascidos vivos. Foram 1.623 óbitos maternos em 2006. As maiores taxas estão no Nordeste (63,6), Norte (58,9) e Sul (56,7). O Centro-Oeste e o Sudeste apresentam taxas de 57,3 e 46,5, respectivamente.

O Ministério da Saúde também organiza um curso de educação a distância para integrantes de Comitês de Mortalidade Materna e Mortalidade Infantil. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o ministério – por meio da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS), da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) e da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (Sgtes) – elaboram o programa de treinamento, previsto para ficar pronto no segundo semestre deste ano. Coordenado pela área técnica de Saúde da Mulher, o curso oferecerá 4 mil vagas até 2010 a todos os municípios do país, por meio das secretarias municipais de saúde. A ideia é qualificar a discussão sobre o tema e modificar os processos de trabalho relacionados às mortalidades materna e infantil.

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