no boletim do Dep. Ivan Valente
A Polícia Militar voltou a invadir o campus Butantã ontem de madrugada, dia 03. Aproximadamente 200 homens da Força Tática, Rocam (Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas) e do policiamento da área perfilaram-se mais uma vez em frente à reitoria da USP e de mais nove acessos de prédios da universidade.
A justificativa apresentada pelo comandante da operação, tenente-coronel Cláudio Miguel Marques Longo, para a presença de armas letais dentro do campus é a de que se trata de um instrumento de trabalho da polícia. “Os pedreiros usam picaretas, nós, revólveres.”
O tenente-coronel, que também é o comandante do 4º batalhão da PM, afirma que a tropa ficará no campus pelo tempo que ele julgar necessário. No entanto, não esconde a insatisfação com a nova função.
O comandante também deixou escapar que a PM voltou ao campus porque foi chamada pela reitoria. Procurada pela reportagem, por meio da assessoria de imprensa da universidade, a reitora Suely Vilela não quis se pronunciar sobre a questão.
À tarde os militares começaram a alternar a presença ostensiva em frente à reitoria com os guardas universitários. A universidade, no entanto, continuava sitiada por várias viaturas da PM. Mais uma vez, um caminhão do Corpo de Bombeiros e uma ambulância do resgate foram destacados para permanecer no campus.
Carandiru
Segundo Magno de Carvalho, diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), que esteve presente à reunião, a reitora, que também preside o Cruesp, afirmou que a PM só sai do campus se os piquetes acabarem. “Isso é chantagem e nós não vamos aceitar”, ressalta indignado.
O sindicalista também afirma que a pressão exercida pelas chefias sobre os trabalhadores é enorme. “Uma funcionária da reitoria já falou que a Suely transformou a reitoria em um Carandiru dentro da USP.”
Greve continua
Os funcionários reivindicam reajuste salarial de 16%, incorporação de R$ 200 ao salário, a readmissão de Claudionor Brandão, diretor do Sintusp, demitido em dezembro em função de sua atuação sindical. Os grevistas também querem que a reitoria retire todos os processos contra dirigentes sindicais e estudantis.
Os docentes realizam assembléia às 16h. Na pauta, a exigência da saída imediata da PM do campus e o indicativo de greve. Mais tarde, às 18h, é a vez dos estudantes se reunirem para deliberaram sobre os rumos do movimento.
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