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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Boas novas: ENEM desbanca Michael Jackson no interesse dos internautas

Felipe Marra Mendonça na Carta Capital


O jornalista inglês Jeremy Wagstaff foi colunista do Wall Street Journal e hoje, além de uma participação semanal em um programa de rádio sobre negócios da BBC, mantém um interessantíssimo blog sobre tecnologia (www.loosewireblog.com). Um dos assuntos que ele aborda com frequência é a relação entre o que as pessoas digitam no Google e o que acontece no mundo. Qualquer um consegue fazer esse tipo de busca ao usar o Google Search Trends (www.google.com/trends), que mostra a tendência das buscas, mas os paralelos estabelecidos por Wagstaff são curiosos e, até certo ponto, macabros.

Ele quis saber a taxa de ocorrência de buscas pela frase commit suicide painlessly (cometer suicídio sem dor). A procura pelo termo ficou estável desde 2004 e, durante um período de seis meses, entre outubro de 2008 e março de 2009, subiu vertiginosamente. Depois o número de buscas voltou ao normal, em meados abril. Note-se que o período de maior buscas por um suicídio relativamente indolor coincide com o ápice da crise econômica mundial.

Um ponto importante do que o Search Trends possibilita ao usuário é dividir o resultado entre países. Enquanto os Estados Unidos tiveram um aumento grande na busca pelo termo, no Reino Unido o número não voltou ao níveis pré-outubro de 2008. Wagstaff escreve que os dados, se interpretados de forma literal, sugerem que o povo britânico ainda está muito deprimido e busca diferentes modos de tirar a própria vida.
O Brasil não mostra a mesma coincidência. O auge das buscas por suicídio ocorreu em setembro de 2004, um pouco antes de eleições para vereadores em vários municípios brasileiros e próximo da data do lançamento mundial do seriado Lost. É pouco provável, obviamente, que tais acontecimentos tenham qualquer incidência na busca por métodos de suicídio.

O Search Trends permite também contabilizar a incidência de buscas por estados, e o Amapá é o que mais digita “suicídio” na caixinha do Google desde 2004, seguido pelo Distrito Federal. Se os dados forem contabilizados por cidade, Brasília é a campeã de buscas e em segundo lugar fica Curitiba (Comentário do blogueiro: 'cidade-modelo' é isso aí!!!).

Visto que a crise econômica teve pouca relação com as buscas, é possível deixar o assunto macabro de lado e traçar um panorama mais amplo do que os brasileiros têm procurado pela internet. No último ano, o termo mais rastreado foi “jogo de meninas”, algo que foge a qualquer explicação plausível. Nos últimos 30 dias, o mais procurado no Brasil foi “michael jackson”, seguido de “harry potter” e “gripe suína”, um ecletismo in-teressante. Na última semana, todos os oito primeiros termos mais procurados têm alguma relação com o Enem, jogando Harry Potter e Michael Jackson para o fim do top ten virtual

A contagem feita pelo Google não pode ser considerada uma boa amostragem do que interessa a uma população, particular-mente no Brasil, onde o acesso à internet ainda é um luxo. Mas é, certamente, um bom indicador do que pensam os internautas no País, que se preocupam com o Enem e, no mundo, que está fissurado com a apresentadora japonesa Natsume Kyozo. É um mundo muito peculiar.

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