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terça-feira, 7 de julho de 2009

Prefeito perde câmera indiscreta

Segundo Ministério Público, imagens feitas em posto de saúde feriam código de ética ao mostrar procedimentos

Fabiula Wurmeister, da sucursal Gazeta do Povo

Foz do Iguaçu - O Ministério Público Estadual determinou que a prefeitura de Foz do Iguaçu retirasse uma das câmeras do posto de saúde onde estava instalada havia três meses. Segundo a procuradoria, o equipamento colocado na recepção da enfermaria fere o código de ética de saúde ao mostrar procedimentos que expõem a privacidade de pacientes.

Segundo o prefeito Paulo Mac-Donald (PDT), o monitoramento eletrônico tem o objetivo de auxiliar na administração da unidade, evitar a longa espera por atendimento e coibir as frequentes ameaças dos usuários contra os funcionários. O próprio prefeito acompanha, de seu gabinete, as imagens feitas no posto.

A polêmica em torno do “Big Brother da Saúde”, como a iniciativa ficou conhecida, mobilizou o Conselho Municipal de Saúde, a Associação Médica de Foz do Iguaçu e o Conselho Regional de Medicina. As três entidades haviam encaminhado ao prefeito o pedido de retirada da câmera, mas não tiveram sucesso. Com a resistência da prefeitura, desde maio o assunto vinha sendo tratado na Justiça. Na semana passada, em acordo proposto por meio de um termo de ajustamento de conduta, o Ministério Público estabeleceu prazo de 72 horas para o cumprimento da ordem judicial, o que acabou sendo cumprido.

“O Ministério Público entende que as câmeras podem sim ter um efeito positivo como na fiscalização do serviço público de qualidade”, afirma a promotora de Justiça Lucimara Iegas. “Mas existe um limite a ser observado. Nesse caso, o monitoramento não poderia ultrapassar o sigilo profissional, como vinha acontecendo com o equipamento da enfermaria”, diz.

MacDonald garantiu que as câmeras que monitoram o cartão-ponto, a farmácia e a recepção do Núcleo de Saúde e no Pronto-Atendimento do bairro Morumbi serão mantidas. De acordo com a administração municipal, em breve mais 170 microcâmeras devem ampliar o sistema de vigilância eletrônica em creches, escolas e outros prédios da administração municipal.

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