BUENOS AIRES (AFP) — A psicose da gripe suína se apoderou da Argentina, principalmente pela negativa do governo de declarar o estado de emergência e as negligências acumuladas durante semanas de campanha eleitoral, quando o número de mortos quase que duplicou, passando de 26 a 43.
"Entre 43 e 44 mortos", respondeu o ministro da Saúde, Juan Manzur ao ser consultado sobre o número de vítimas fatais da gripe suína, atualizando o último boletim, emitido na sexta-feira passada.
"A situação por causa da gripe suína é séria e difícil", admitiu ainda.
Com 43 mortes, a Argentina é o terceiro país em número de óbitos por gripe suína, atrás apenas de Estados Unidos e México, segundo cifras da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Manzur anunciou uma série de medidas, entre elas a criação de uma conta especial, no âmbito do ministério da Saúde, para fortalecer a estrutura sanitária em todo o país.
O ministro revelou ainda que os "grupos sociais mais vulneráveis", como as grávidas, poderão solicitar uma licença preventiva a partir de amanhã, por um período de 15 dias.
De acordo com os últimos dados oficiais, há 1.587 infectados em todo o país. Porém, entidades médicas afirmam que o número de pessoas que contraíram o vírus A (H1N1) se eleva na verdade a dezenas de milhares.
Manzur foi nomeado 48 horas depois da saíde de sua antecessora, Graciela Ocaña, que renunciou no dia seguinte às eleições que representaram uma derrota para o casal Néstor e Cristina Kirschner.
Nos últimos dias a campanha eleitoral dominou o país, deixando a situação sanitária em segundo plano.
"Estamos sofrendo com a falta de condução política", afirma Jorge Yabkowski, presidente da Federação Sindical de Profissionais da Saúde da Argentina (FESPROSA). "Estamos sem declaração de emergência sanitária a nível nacional e com ordens contraditórias".
Diante da ausência de medidas por parte de um governo abalado pelos resultados eleitorais, as autoridades regionais tomaram a dianteira em termos de prevenção.
Algumas cidades na província de Buenos Aires, como Pergamino, decidiram fechar seus lugares públicos e a maioria das províncias do país optaram por antecipar em duas semanas o período das férias escolares de meio de ano.
Os especialistas esperam um pico da pandemina nas próximas semanas devido aos rigores do inverno austral.
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