O sindicato nasceu após o período da ditadura. As atribuições do seu papel estão garantidas pela Constituição.
Todas essas considerações iniciais se fazem necessárias para poder refletir sobre a razão que pode ter levado a diretoria do Hospital Regional São Sebastião – HRSS – da Lapa – a chamar a polícia na última quinta-feira, 2/7. É preciso, ainda, questionar por quais razões a direção do Hospital alegou que o sindicato estava cometendo calúnia, difamação e fazendo tumulto ‘causado pela equipe sindical’. O sindicato nega qualquer dessas afirmações.
Na verdade, a equipe agiu com muita tranquilidade para não se irritar com as sucessivas tentativas de obstrução do trabalho sindical.
A busca de impedir o trabalho do sindicato começou na chegada. O vigia não deixou a equipe entrar e encaminhou o pessoal ao diretor-administrativo do HRSS. Quando já estava tudo esclarecido, um simples telefonema reverteu a opinião desse diretor. E tudo voltou à estaca zero.
A diretora do SindSaúde, Regina Mazzuco, com muita serenidade, retomou as explicações e aceitou que uma chefia acompanhasse a equipe sindical, conforme solicitação da diretoria administrativa. Fato jamais ocorrido nesses 20 anos de trabalho.
30 minutos – Foi mais ou menos o tempo que o pessoal do SindSaúde pôde desenvolver o trabalho. Durante esse período, todo o cuidado foi tomado pela equipe, que cumpriu a palavra de não atrapalhar o andamento dos trabalhos daquele hospital.
Sem qualquer motivo, a pessoa que acompanhava a equipe informou que eles teriam de sair do HRSS. Regina estranhou e disse à chefia que precisava continuar, pois ainda faltava visitar alguns setores para terminar o trabalho.
Com a insistência da chefia de mandá-los embora, Regina pediu que ela o fizesse por escrito. A pessoa saiu, supostamente para pegar o papel, e voltou com a informação de que não poderia ser da forma que Regina pediu. Mais: ela disse que a equipe tinha de interromper o que estava fazendo e sair. A chefia se foi e, depois de alguns minutos, chegou a polícia.
Ainda mais perplexa, a equipe foi inquirida por um policial para fazer um Boletim de Ocorrência. Durante mais de três horas, eles ficaram na Delegacia para explicar que ‘focinho de porco não é tomada’.
Categoria fica indignada com a violência
“De certa forma, tudo ficou meio patético. Em meio século de vida, nunca havia pisado numa delegacia. Estava apenas exercendo minha função rotineira do sindicato e fui parada para depor”, diz a diretora Regina.
Para ela, esse tipo de atitude não amedronta a ninguém. “Só revela o quanto alguns gestores se incomodam com a gente”, afirma.
Neiva Ione Correa, também diretora do sindicato, garante que o jornal informativo se limita a relatar as denúncias que chegam ao SindSaúde. E todas são para averiguação. Coisa que fica bem clara no boletim.
Muito mais do que o sentimento pessoal de Regina e da equipe, é o sentimento de indignação que tomou conta da categoria.
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