Os produtores rurais de Mato Grosso estão em pé de guerra com a Monsanto. A multinacional americana anunciou, em reunião reservada com a Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja), a elevação de 26% nos royalties cobrados em cada saca de semente de soja geneticamente modificada tolerante ao herbicida Roundup.
Em um cenário de cautela para a safra 2009/10, que começa a ser plantada em setembro, os produtores ameaçam questionar na Justiça o aumento unilateral apresentado nesta semana.
Na nova safra, os produtores pagarão R$ 0,44 por quilo para uso da semente "Roundup Ready". "Estamos pensando em ir à Justiça porque não temos alternativa", diz o presidente do Sindicato dos Produtores de Sinop, Antônio Galvan. A Monsanto teria avisado que também elevará a taxa tecnológica cobrada pelo milho transgênico resistente a insetos, mas sem informar o valor. "E eles já avisaram que vão cobrar R$ 0,70 por quilo da soja ? Bt ? quando aprovarem para a safra de 2012″, diz o vice-presidente da Aprosoja, José Guarino Fernandes, produtor da cidade de Sapezal.
Em nota ao Valor, a Monsanto confirmou o aumento nos preços, mas informou que o produtor tem o " direito de optar " pelo cultivo de sementes transgênicas ou convencionais, "de acordo com sua preferência". Além disso, os produtores de sementes podem " fixar preços finais aos agricultores " com descontos na margem de lucro e na remuneração por operar o sistema de cobrança dos royalties.
Os produtores calculam um aumento de até R$ 20 milhões na arrecadação da multinacional com royalties no Estado. " A soja transgênica já não tem nenhum atrativo econômico para nós. O uso dessa semente cresceu aqui por causa do manejo mais fácil, e não pela redução de custos " , avalia o produtor João Carlos Diel, que cultiva 2,4 mil hectares em Rondonópolis.
A questão econômica também pode transformar-se em problema político. Um dos maiores produtores do Estado, o senador Gilberto Göellner (DEM-MT) diz que outra solução seria um "boicote" ao transgênico. "Se o royalty leva o lucro do produtor, então, não devemos plantar nada", afirma. O presidente da federação estadual da Agricultura (Famato), Rui Prado, diz que a Monsanto deve voltar a negociar com os produtores. "Temos uma boa relação, mas precisamos preservar isso."
O acordo para uso das sementes inclui cobrança de 2% sobre o valor da produção em caso de não pagamento dos royalties. Se o produtor declarar não produzir transgênicos e um teste confirmar a transgenia, a multa sobe a 3%. A Monsanto controla a cobrança na entrega dos grãos em tradings e armazenadoras. " Como eles ganham 10% a 15% desse valor cobrado na ? bica ? pela Monsanto, não temos escapatória. Tem que pagar e pronto " , diz Galvan.
(Mauro Zanatta* | Valor Econômico)
*O jornalista viajou a convite da Bienal da Agricultura..
COMENTÁRIO: Os nobres latifundiários de Mato Grosso estão reclamando do que? Da extorsão anunciada? Até o Eremildo o Idiota (personagem do Élio Gaspari) teria sido capaz de adivinhar o final desta trapalhada...
Pensem bem: A multinacional Monsanto (que de 'santo' não tem absolutamente nada) desenvolve uma variedade de soja que é resistente ao herbicida. Notem o "detalhe": Não é resistente às pragas, é resistente ao herbicida específico da Monsanto, o Round-up. Ou seja: se usar o Round-up, SÓ PODE usar a soja "Round-up Ready", por que senão o herbicida mata a soja junto com as ervas daninhas.
O Round-up fica no solo por pelo menos 3 anos. Se plantar outra coisa no lugar, o Round-up detona. Daí você se vê escarvizado pela multinacional: compra uma semente específica, "casada" para usar com um herbicida específico e fica na mão da Monsanto, que ainda por cima cobra royalties do produtor.
Os royalties se devem aos direitos que a multinacional se atribui por ter tido a engenhosidade de inventar uma pegadinha tão engenhosa...
Estão reclamando do que?
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