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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Arruda enquadra deputados e acaba com 2 CPIs

Do Blog da Paola:

Quando a gente imagina que os deputados distritais já fizeram todo o possível para desmoralizar a atuação da Câmara Legislativa, eles nos surpreendem mais uma vez.

Sem querer levantar nenhuma discussão sobre importância ou motivação para instalação da CPI Digital e da CPI da Saúde, é impressionante a capacidade dos parlamentares de driblar regimentos e leis.

A decisão de cancelar a CPI da Saúde ainda tem algum fundamento se considerarmos que a comissão parlamentar não existia e sequer tinha definidos os cinco nomes de sua composição.

Mas como cancelar a CPI Digital, depois que ela tivera sua primeira reunião para início dos trabalhos, inclusive com requerimentos aprovados?

A verdade é que nem mesmo os deputados distritais têm resposta para isso. A decisão tomada na tarde desta terça-feira foi meramente política.

Devidamente enquadrados pelo governador José Roberto Arruda, os distritais sequer pensaram no tamanho da volta jurídica que terão de dar para tornar nula a CPI Digital.

Como foi admitido por um próprio governista, a discussão entre eles ignorou completamente as normas regimentais da Casa. O único consenso era de que, fosse qual fosse a medida para enterrar as investigações, ela não poderia ser individual.

Uma sugestão, dentro das normas legais, foi de que cada um dos membros da comissão parlamentar renunciasse ao seu lugar. Assim, sem integrantes, a CPI seria suspensa e morreria na gaveta.

Mas a proposta não foi aceita. Mais importante do que seguir o regimento era salvar a própria pele do vexame diante do eleitor. Se é que isso é possível.

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A decisão da bancada governista de cancelar as duas CPI, encarando todo o desgaste com a opinião pública que isso poderia provocar, está sendo vista como uma prova de que o governador José Roberto Arruda enfim aprendeu a lidar com sua base.

O primeiro sinal foi o resultado da reunião de segunda-feira à noite, com a maioria da bancada governista, em que Arruda conseguiu um requerimento de apoio ao nome de Domingos Lamoglia para conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal.

Há poucas semanas, os mesmos distritais haviam assinado um outro documento garantindo que o cargo deveria ficar com um parlamentar. A favorita era a democrata Eliana Pedrosa.

Na tarde desta terça, uma nova reunião e um novo enquadramento. Dessa vez com os três distritais protagonistas das duas CPIs agora enterradas: Brunelli (DEM), Batista das Cooperativas (PRP) e Dr. Charles (PTB).

Nas mãos, Arruda tinha uma lista com mais de 600 nomes de pessoas nomeadas no governo por indicação dos três parlamentares. Todas com os devidos atos de exoneração prontos para serem assinados.

O governador não teria negociado. Apenas avisado das novas regras do jogo: exonerações, retaliações e rompimento completo.

Nem mesmo as rotineiras ameaças [dos deputados] de se aliarem ao ex-governador Joaquim Roriz (PMDB) teriam surtido efeito.

Seja como tenha sido a conversa, deu resultado. A bancada em peso cancelou as investigações na Casa sem chiar.

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