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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Deu no Noblat: Suplicy será investigado por dar abrigo a manifestantes

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que no mês passado deu um cartão vermelho para o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), acaba de receber o troco.

Sarney e os demais membros da direção do Senado pediram que Suplicy seja investigado pela Corregedoria Geral do Senado, encarregada de zelar pelo bom comportamento dos senadores.

Romeu Tuma (PTB-SP), o corregedor, vai investigar a razão que levou Suplicy a oferecer pernoite em seu gabinete a 15 manifestantes favoráveis à permanência no Brasil do ex-ativista político italiano Cesare Battisti.

O bando dos 15 dormiu no gabinete na vésperta do julgamento do caso Battisti pelo Supremo Tribunal Federal. O julgamento foi suspenso depois de um pedido de vista do processo feito pelo ministro Marco Auirélio Mello.

O primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), disse que o pedido de investigação tem como objetivo impedir que um precedente seja aberto e que o Senado se transforme em hotel para manifestantes.

Ao falar com jornalistas, Heráclito ironizou a desculpa oferecida por Suplicy para justificar o pernoite, - os manifestantes teriam pedido para ir ao banheiro:.

- Haja dor de barriga. Não imagino o que eles comeram.

O corregedor pode propor algum tipo de punição leve para Suplicy - uma advertência verbal ou por escrito.

 

Atualização das 13h20 - Ofício que Suplicy entregou hoje a Tuma: "Em atenção ao documento citado na referência, informo a Vossa Excelência que, na noite de nove de setembro próximo passado, fui à Praça dos Três Poderes, juntamente com os Senadores José Nery e João Pedro, para conversar e prestar solidariedade a algumas pessoas que realizavam uma vigília cívica em respeito à causa do Senhor Cesare Battisti. Nunca é demais lembrar que um dos deveres fundamentais do Senador é promover a defesa dos interesses populares (art. 2º, inciso I, da Resolução do Senado No 20, de 1993).

Na Praça, encontrei, dentre os participantes da vigília, pessoas idosas, várias senhoras e companheiras de mais de trinta anos que, constrangidas, se ressentiam da falta de banheiros. Por uma questão de respeito à dignidade da pessoa humana, franqueei a utilização dos toaletes de meu gabinete àquelas pessoas, tendo em vista ser a dependência mais próxima da Praça que, como se sabe, não possui banheiros públicos.

As pessoas vieram ao Senado acompanhadas dos dois Senadores – José Nery e João Pedro – com os respectivos chefes de gabinete, ou seja, não adentraram ao Senado sozinhas.

A par disso, o andamento do caso, dado pelo Chefe da Segurança do Senado, denotou, na minha avaliação, falta de sensibilidade humana e de espírito público, uma vez que a sua iniciativa contraria o art. 416 da Resolução do Senado No 58, de 1972.

No caso em questão, penso que teria sido próprio que os responsáveis pela segurança tivessem dialogado com as pessoas da vigília e, no caso de dúvida, deveriam ter telefonado para mim, pois, de pronto, informaria que as pessoas estavam por mim autorizadas. Interessante notar que quando cheguei ao gabinete, no dia seguinte, tudo estava limpo e em ordem.

Todos sabemos que cada Senador é senhor do seu gabinete, podendo receber nele qualquer pessoa que seja do seu interesse. Considero que não cabe à Segurança do Senado acompanhar, analisar e criticar a atitude de Senadores, principalmente quanto estes estão no cumprimento de seus deveres fundamentais."

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