O director da Escola Nacional de Saúde Pública, Constatino Sakellarides, considerou hoje que o responsável do Conselho da Europa que caracterizou como "falsa" a pandemia de Gripe A H1N1 "presta um péssimo serviço à Saúde Pública".
no portal Público http://www.publico.clix.pt/
O director da Escola Nacional de Saúde Pública considerou que é "é fácil dizer qualquer coisa, se não a fundamentar".
A 14 de Janeiro, o presidente da comissão de Saúde da assembleia parlamentar do Conselho da Europa, Wolfgang Wodarg, apresentou uma moção para investigar se há conflito de interesses entre a Organização Mundial de Saúde e as farmacêuticas.
Hoje, em declarações à TSF no dia em que o Conselho da Europa discute a forma como a OMS lidou com a situação, o mesmo responsável referiu tratar-se de um "maiores escândalos médicos do século".
Em declarações à Lusa, Sakellarides acusou este médico alemão de "corroer a legitimidade da Organização Mundial de Saúde".
"Eu queria ver o que dizia a mesma pessoa se o país dele não se preparasse para o pior e isso acontecesse", referiu ainda, acusando o Wodarg de "ganhar notoriedade à custa destes processos de mau gosto".
"A opinião pública pensa que a montanha pariu um rato, mas nós não nos podemos pôr do lado da montanha, não é intelectualmente honesto", garante Sakellarides, sublinhando que as autoridades "não se enganaram".
Na questão substantiva, explicou que em relação a qualquer tipo de gripe "não é possível fazer previsões", mas são traçados "cenários".
"Fazem-se cenários bons e os maus admissíveis, dentro dos limites do razoável", acrescentou, referindo que se as autoridades se prepararem apenas para o melhor e acontecer o pior "é indesculpável".
"As pessoas não têm vacinas, não há serviços e não há medicamentos. O planeamento é sempre feito em função do pior cenário admissível", informou.
Quando acontece um dos melhores cenários admissíveis, "como é este caso, é evidente que há um excesso inevitável face à questão dos cenários", disse, admitindo que há que "carregar com as consequências", como "ter gasto excessivamente porque se planeou para o pior cenário possível".
O especialista lembrou que a gripe ainda assim matou muitas pessoas a nível mundial e o vírus H1N1 ainda poderá "sofrer mutações" e "pode piorar", mas "não se sabe à mesma" o que pode acontecer.
"Há um cenário que diz que possivelmente haverá uma segunda onda, mas não será muito diferente da primeira. Outro diz que essa segunda onda pode acontecer à base de um vírus com características mais graves".
Por isso, insiste que a vacinação deve continuar: "quanto maior o número de pessoas vacinadas, maior a barreira que se estabelece face à possibilidade de uma segunda onda".
O responsável informou ainda que a OMS já publicou quais os mecanismos que tem para tomar decisões.
"A OMS, como a Direcção-Geral da Saúde, entre nós, foram constituídas exactamente para impedir que decisões políticas e económicas afectem a Saúde Pública. Têm dispositivos que as protegem disso e eu sei, porque lá trabalhei durante oito anos".
COMENTÁRIO: Perguntar não ofende:
Trabalhou 'lá' financiado por qual dos laboratórios?
Nenhum comentário:
Postar um comentário