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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

OMS nega conflito ético após críticas a gerenciamento da gripe A

LUCIANA COELHO
da Folha de S.Paulo, em Genebra

A Organização Mundial da Saúde defendeu em comunicado à imprensa ontem seus laços com parceiros do setor privado --inclusive a indústria farmacêutica-- como "essenciais para alcançar seus objetivos em saúde pública hoje e no futuro". É a segunda vez em uma semana que a OMS responde à acusação de ter exagerado o alarme da gripe suína para beneficiar fabricantes de vacina.

"Fornecer aconselhamento independente é uma função importante da OMS. Levamos esse trabalho a sério e nos resguardamos de qualquer influência inapropriada", diz o texto, acrescentando que a reação da entidade à pandemia de gripe, declarada em junho de 2009, "não foi indevidamente influenciada pela indústria".

Na semana passada, a diretora-geral da organização, Margaret Chan, usou a abertura da sessão anual para justificar as medidas e o alarme contra a doença, que em dez meses matou cerca de 14,1 mil pessoas.

O Conselho da Europa começa a discutir o tema hoje em sua Assembleia Parlamentar. O debate, proposto por um deputado alemão, é o destaque da semana sob o nome "Pandemia falsificada: uma ameaça à saúde". O conselho não é ligado à União Europeia, mas atua como a principal entidade de defesa dos direitos humanos e congrega 47 países. Um parecer desfavorável seu pesaria contra a credibilidade da OMS.

A OMS, que de fato trabalha com membros da indústria, alega que todos os especialistas são obrigados a assinar uma declaração em que detalham sua fonte de renda e eventuais conflitos de interesse. "Temos confiança na independência das decisões sobre a pandemia de gripe. As alegações de que a OMS criou uma pandemia falsa para trazer benefícios econômicos à indústria é cientificamente errada e historicamente incorreta", segue.

Impacto menor

A entidade atribui o impacto menor que o inicialmente previsto do vírus A (H1N1) ao fato de ele ser "diferente de outros vírus" e à rapidez das ações para contê-lo, após análises laboratoriais indicarem sua força.

De acordo com a agência de notícias EFE, que cita analistas, as indústrias farmacêuticas ganharam cerca de US$ 7 bilhões com a pandemia da nova gripe.

Governos europeus têm sido criticados domesticamente após terem encomendado dezenas de milhares de doses de vacina e usado uma pequena fração do que compraram. Com os estoques cheios, muitos tentam revender o produto.

No Brasil, não há mudanças em relação às vacinas encomendadas: o país terá, ao todo, 83 milhões de doses.

TIRA-DÚVIDAS
Campanha de vacinação no Brasil será entre março e abril

QUANDO A VACINA SERÁ DISTRIBUÍDA?
A campanha nacional de vacinação será realizada entre março e abril deste ano. O governo federal deve anunciar hoje os detalhes da campanha.

ONDE ESTARÁ DISPONÍVEL?
Nos postos de vacinação determinados pelo Ministério da Saúde.

HAVERÁ DOSES PARA TODA A POPULAÇÃO?
Não. Como o número de doses é insuficiente, o governo vai priorizar trabalhadores da saúde envolvidos no atendimento aos pacientes, grávidas, crianças entre seis meses e dois anos de idade, comunidades indígenas e pessoas com doenças crônicas preexistentes.

A VACINA SERÁ GRATUITA?
Sim.

ELA PODERÁ SER COMPRADA NA REDE PRIVADA?
Segundo as assessorias de imprensa dos laboratórios GSK e Sanofi, não há previsão de venda na rede privada. A prioridade é atender os governos.

Fonte: Ministério da Saúde

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