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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Campanha da Alerj incentiva pré-natal para diminuir óbitos anuais


Carolina Monteiro no Jornal do Brasil

RIO - Mais de 170 grávidas morrem por ano no Estado do Rio em decorrência de complicações na gestação ou no parto. Os números integram o relatório anual do Comitê Estadual de Prevenção e Controle da Mortalidade Materna da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que lança terça-feira a campanhaPré-Natal de qualidade e parto seguro é um direito seu para chamar atenção para o problema.

Na capital, os números também preocupam: em 2007 – último levantamento oficial da Secretaria Municipal de Saúde – para cada 100 mil habitantes nascidos vivos, 62,25 gestantes morreram.

– Quando assumimos, apenas 3,5% das gestantes que contavam com a rede pública recebiam acompanhamento pré-natal. Tentamos fugir dessa herança maldita com duas ações: aumentar o número de vagas para os exames gestacionais, principalmente na Zona Oeste, e implementar políticas de incentivo para que as mulheres busquem mais o acompanhamento médico – explica o secretário municipal de Saúde, Hans Dohmann.

A solução, no entanto, admite o secretário, demora. A meta, até o fim do governo o pre-natal seja feito em pelo menos 40% das gestantes.

Mortes evitáveis

De acordo com o levantamento do Comitê Estadual de Prevenção e Controle da Mortalidade Materna da Alerj, 90% das mortes maternas no Rio poderiam ser evitadas, já que maioria ocorre em consequência de alguma infecção, hipertensão ou hemorragia.

– O número de mortes permanece o mesmo nos seis últimos anos, mesmo com a queda na fecundidade. Queremos cobrar políticas públicas mais direcionadas – explica a presidente da comissão, a deputada Inês Pandeló.

O Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sindmed-RJ) aproveita o levantamento para denunciar condições inadequadas de atendimento nas maternidades do muncípio.

– Faltam profissionais, as estruturas são antigas, com manutenção predial precária. Quase não houve renovação tecnológica – denuncia o presidente da entidade, Jorge Darze.

Após inspecionar as instalações das maternidades Fernando Magalhães, em São Cristóvão, e Oswaldo Nazareth, na Praça 15, o sindicalista reclamou ainda mais.

– Encontramos salas cirúrgicas com piso, paredes e tetos danificados, sendo fonte de infecção – informa Darze. – Havia também material defasado, que deveria ser substituído, e equipamentos quebrados, sem manutenção.

Cegonha começa em abril

A campanha lançada terça-feira na Alerj será realizada até maio. Em abril, a prefeitura promete dar respostas concretas ao problema. Além de aumentar o número de vagas para exames pré-natais, a Secretaria Muncipal de Saúde acredita que em dois meses já estará estimulando as gestantes realizarem todos os exames necessários à uma boa gestação por incentivo do programa Cegonha Carioca.

Anunciada em julho do ano passado pelo prefeito Eduardo Paes, a ação promete distribuir enxoval para todas as grávidas que realizarem o pré-natal na rede do município.

– O número de mortes maternas pode ser próximo de zero se houver acompanhamento pré-natal, salvo raríssimas exceções – afirma o vereador Paulo Pinheiro, da Comissão de Saúde da Câmara municipal.

Colaborou Flávia Salme

Um comentário:

  1. Difícil conhecer esses números! Fico muito comovida em saber que o corpo não sobrevive à vida... E meu trabalho fica ilusório... sei que ele também é bom e importante, mas depois da vida permanecer incorporada, não é... É simplesmente triste, ao vir uma nova vida, duas irem...

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