no Jornal de Londrina
O Hospital Universitário (HU) inicia na segunda-feira (15) uma nova restrição de atendimento do seu Pronto-Socorro (PS). Atualmente a unidade recebe apenas pacientes encaminhados pelo Samu, Siate, unidades de saúde e central de leitos, mas agora também será necessário um contato prévio destes órgãos para saber se é possível o atendimento. O motivo, conforme alegou o superintendente do HU, Francisco Eugênio Souza, é a falta de recursos do hospital, que impossibilita a compra de determinados materiais e medicamentos.
Dessa forma, o hospital vai receber pessoas que precisam de atendimento cirúrgico, como um ferido por faca, mas não vai aceitar casos que sejam necessários a implantação de uma prótese ou a utilização de outros materiais como o implante de um marcapasso. Esses casos, conforme o superintendente, precisarão ser encaminhados para os outros hospitais terciários (Hospital Evangélico e Santa Casa) que atendem também através do Sistema Único de Saúde (SUS).
Conforme o superintendente, o HU não possui atualmente alguns desses equipamentos e suas dívidas com determinados fornecedores inviabilizam novas compras. “Estamos sem dinheiro para fazer estoque, para comprar material em geral e sem nenhum recurso para compra de próteses, órteses e outros semelhantes”, disse.
A nova restrição foi decidida pelo Conselho Diretor do HU e, conforme, Eugênio, não tem data para ser revogada. “Podemos voltar a atender quando tivermos dinheiro”. Ele diz acreditar que o hospital não pode ser acusado de omissão de socorro pela atitude. “É melhor do que chegar aqui e vermos que não podemos atender e ter encaminhar para outro hospital. Não estamos nos negando a atender e só organizando o atendimento que é possível”.
A crise financeira enfrentada pelo HU é considerada grave e vem afetando diretamente os pacientes com a falta até de medicamentos de uso frequente, como soro fisiológico e seringas. O principal problema seria uma dívida de R$ 17 milhões que a Prefeitura mantém com o hospital referente a serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os valores dos procedimentos são liberados pelo governo federal ao Município, que faz o repasse aos hospitais.
Apesar da falta de recursos, o reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Wilmar Marçal, que administra o hospital, acusa falhas na gestão e informou que o HU tem uma conta poupança com R$ 4,47 milhões. Um valor próximo foi confirmado pelo superintendente, que disse ser de uma conta usada para emergências. Ele ainda informou que cerca de R$ 2 milhões já estão empenhados e convidou o Tribunal de Contas do Paraná a realizar uma auditoria no hospital
A reportagem do JL tentou falar com o secretário municipal de Saúde, Agajan Bedrossian, mas ele não foi localizado.
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