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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O exemplo mediterrâneo

Rogério Tuma na Carta Capital

A economia europeia, como se sabe, não anda nada bem. Eis um momento oportuno para esta coluna prestar homenagem à cultura gastronômica do Velho Continente e, quem sabe, erguer um pouco o moral dos seus cidadãos e descendentes. Uma iniciativa, como se verá, regada a azeite e cerveja. Vamos ao cardápio.

Para beber. Cá entre nós, não é à toa que semanalmente alguma revista médica publica um artigo sério, bem escrito, a demonstrar os benefícios do álcool, afinal a profissão que mais possui alcoólatras é a medicina. Não apenas o vinho caiu nas graças da medicina, qualquer bebida com álcool merece loas – até a cerveja tem recebido elogios médico-científicos.

A revista da Sociedade da Indústria Química Americana, o Journal of Food and Agriculture, em sua edição de fevereiro, publicou um artigo de Troy Casey e Charles Bamforth, da Universidade da Califórnia, que apresenta a cerveja como a maior fonte de silício na dieta ocidental. Sendo o silício importante componente na estrutura óssea, os médicos propõem o uso moderado de cerveja como um tratamento para a osteoporose, principalmente as feitas de cevada. Fico imaginando se uma propaganda na tevê só com velhinhos daria resultado.

Para comer. A dieta do Mediterrâneo tem sido considerada extremamente saudável e é associada à vida longa com qualidade. Um estudo a ser apresentado no congresso da Academia Americana de Neurologia em Toronto, em maio deste ano, mostra que, ao comermos vegetais, legumes, frutas, cereais-, peixes e gorduras não saturadas como azeite de oliva, derivados do leite e pequena quantidade de álcool, mantemos o cérebro saudável por muito mais tempo. E evitamos pequenos infartos que comumente ocorrem quando comemos uma dieta rica em gordura animal, muito açúcar e sal. No estudo a ser apresentado, os pesquisadores avaliaram os padrões de dieta de 712 moradores de Nova York e os dividiram em três grupos, conforme o padrão da dieta se aproximasse da do Mediterrâneo. Após uma média de seis anos, esses voluntários fizeram ressonância da cabeça e foram medidos os números de isquemias que o cérebro, por ventura, sofreu neste período. Segundo Nikolaos Sarmeas, o autor do estudo, os nova-iorquinos que comeram só a dieta do Mediterrâneo tiveram 36% menos lesões no cérebro que os voluntários com dietas mais liberais. Aqueles com dietas intermediárias tiveram 21% menos lesões. A redução das lesões pode estar associada à preservação da memória e da capacidade intelectual por muito mais tempo, mais um ponto para os europeus.

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