Unidades farão uma ponte entre hospitais e a Central de Transplantes em seis cidades do Paraná. Estado capta três vezes menos doadores do que poderia
As OPOS devem ser instaladas em até três meses. “Estimo que os potenciais doadores sejam quase três vezes o que conseguimos captar hoje. E desses doadores captados, apenas metade se reverte em transplantes efetivos”, exemplifica o se cre tário estadual de Saúde, Car los Augusto Moreira Junior.
A distribuição das OPOs é baseada na proporção de uma unidade para cada 2 milhões de habitantes, estabelecida pelo Plano Nacional de Implantação de OPOs, lançado em outubro pelo Minis tério da Saúde, por meio da Porta ria 2.601. O plano tem base na experiência positiva do estado de São Paulo, onde hoje funcionam 10 organizações. “O Paraná, com uma população de mais 10 mi lhões, teria direito a cinco OPOs, mas nossos técnicos conseguiram negociar uma sexta unidade na região metropolitana de Curitiba”, diz Moreira Junior.
Enquanto em Curitiba o escolhido é o Hospital do Trabalhador, por receber muitos pacientes de trauma e possíveis doadores, na região metropolitana o principal candidato é o Angelina Caron, pelo atendimento emergencial prestado e também pela excelência na área de transplantes. Nas cidades de Londrina, Cascavel, Maringá e Ponta Grossa foram definidos os hospitais universitários.
Como funciona
Cada OPO receberá R$ 20 mil para a implantação e, mais tarde, um custeio mensal de R$ 20 mil, oriundos do Fundo Nacional de Saúde. O dinheiro seria suficiente para bancar uma estrutura de uma sala e computadores para uma pequena equipe, formada no Paraná por dois administradores, três enfermeiras, um coordenador médico e, talvez, um psicólogo. “O interessante é que, ao menos, uma das enfermeiras seja intensivista para que possa auxiliar na manutenção dos doadores identificados nos hospitais, uma das nossas grandes dificuldades”, ressalta o secretário.
A partir do segundo ano de funcionamento, as OPOs só receberão os recursos mediante o cumprimento de metas. “A equipe fará uma busca ativa nos hospitais, com pelo menos dois contatos por dia, para identificar os possíveis doadores, ajudando também no que for preciso para a confirmação do diagnóstico.”
Na semana que vem, duas pessoas da Central de Transplantes do Paraná irão a São Paulo para saber como funciona a coordenação das OPOs. Só então o Paraná deve fechar sua proposta, com a definição de metas quantitativas e qualitativas para as organizações, e enviá-la ao Ministério da Saúde. Até agora apenas os estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco e Acre mandaram proposta.
Desde maio de 2009, além das OPOs, o estado de São Paulo está investindo em coordenadores intra-hospitalares ligados a essas unidades nas principais instituições do estado. “Com isso triplicamos o número de doadores em três meses. São Paulo tem o hoje o maior número de doadores do Brasil: 700”, diz o diretor técnico de Divisão de Saúde e coordenador da OPO da Santa Casa da capital paulista, Reginaldo Carlos Boni. Ele explica que a presença desses coordenadores nos principais hospitais estaduais ajuda a descentralizar mais ainda o trabalho de procura de órgãos, o que dinamiza todo o processo.
Não a particulares
Recentemente, junto com o início do Serviço de Transplante de Fígado, o Hospital São Vicente, administrado pela Fundação de Estudos das Doenças do Fígado (Funef), enviou um pedido à Secretaria de Estado da Saúde para ser a primeira OPO do Paraná. Embora pela Portaria do Ministério da Saúde não haja qualquer impedimento para a instalação de uma unidade em um hospital particular, a Sesa refuta a ideia e adianta que o pedido será negado. “Preferimos instalar (as OPOs) em hospitais públicos ou, ao menos, que possuam um relevante atendimento emergencial de pacientes de trauma e possíveis doadores, como o Angelina Caron”, afirma Moreira Junior.
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