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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Dilma abre frentes de conflito com Congresso antes mesmo da posse


A primeira ordem expressa da presidente eleita, Dilma Rousseff, foi clara: é preciso barrar a avalanche de gastos pronta para desmoronar sobre seu governo assim que assumir, em 2011. Os cavaleiros da "dama de ferro" brasileira saíram em campo, mas encontraram ambiente adverso para, a um só tempo, frustrar expectativas de aumento salarial o obter instrumentos de aumento de arrecadação para financiar, por exemplo, a saúde pública.

Dilma se assusta com a conta bilionária que herdará para pagar se vingarem nesta virada de ano, aprovadas por um Congresso em fim de mandato, medidas como:
- aumento de salário para policiais e bombeiros;
- aumento de salário de 56% para Judiciário e Ministério Público;
- aumento para o Legislativo;
- R$ 30 bi em emendas parlamentares;
- aumento do salário mínimo para além dos R$ 538,15. Os valores citados vão dos R$ 540 a R$ 580;
- fim da contribuição para Previdência cobrada dos inativos.

Apesar do expressivo aumento de despesas que esta conta potencialmente representa, a presidente eleita não poderá dizer “não” para todas as frentes. Não é possível desagradar a tanta gente de uma só vez, justo na estréia do governo, mesmo contando com os mais hábeis articuladores políticos como aliados.

A tarefa presidencial de dizer “não” fica ainda mais difícil, levado em conta o plano de Dilma de obter um gigantesco “sim” daqueles que pretende desagradar para uma medida extremamente antipática: a de criar uma nova contribuição para financiar a saúde. Aliados insuspeitos do governo já avisam que não há espaço político para nada que faça lembrar a extinta CPMF.

Dilma imagina que conseguirá catalisar a vontade dos governadores eleitos em favor da idéia, e que eles terão o condão de reverter o quadro instalado no Congresso de aversão a um novo tributo em prol da Saúde.

São montanhas a serem movidas no Congresso e, de tão grandes, levaram à idéia de deixar o orçamento de 2011 para ser votado no ano que vem, na esperança de que o novo parlamento reaja melhor aos ditames do Executivo da era Dilma. A tese foi logo descartada, nesta terça, por um ministro de Lula afinado com a nova presidente, Alexandre Padilha, das Relações Institucionais, que promete: o governo Lula vai trabalhar pela aprovação do orçamento agora, além do Pré-sal e outras quimeras mais.

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