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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Doenças crônicas como diabetes podem ser controladas apenas com dose semanal de atividade


Esporte cidadão na Carta Capital

Toda a movimentação em torno dos dois presidenciáveis tem gerado, como era de se esperar, uma gama de especulações. Afirmações sobre alguns pontos de cada programa de governo (quando dis cutidos) sempre provocam a reação dos eleitores. Fala-se muito de economia, desenvolvimento e programas sociais. Alguns com conhecimento de causa, outros nem tanto. O final da guerra se avizinha.
O grande adversário de algumas posturas se prepara para entrar em campo. É cedo para definições, mas uma coisa tem me chamado a atenção de forma clara: os dois candidatos a nosso máximo representante tratam a atividade física e o esporte como coisa menor. Pelo menos é isso que depreendemos do que foi colocado até aqui.
E isso não é novidade alguma, pois jamais em tempo algum essa área foi contemplada com a atenção merecida. Os orçamentos municipal, estadual ou federal nesse segmento – quando há um órgão de primeiro escalão – nunca ultrapassaram o limite de pagamento da folha na qual descansam os nomes de alguns poucos funcionários, a maioria em funções administrativas. Nada para investimento em programas de massificação e educação esportiva. Até se inventam alguns programas, mas poucos resultados percebemos.
Caso o Serra, que se gaba de sua passagem pelo Ministério da Saúde, tivesse se preocupado em entender o quanto uma ação firme e interessada no estímulo a essa prática diminui o custo na saúde pública, teria embasamento suficiente para defender uma série de medidas importantes capazes de provocar uma verdadeira revolução em nosso debilitado sistema de saúde.
Doenças crônicas como diabetes e hipertensão arterial, por exemplo, muitas vezes podem ser controladas apenas com uma dose semanal de atividades do corpo. São patologias que matam não só os cidadãos, mas principalmente a frágil saúde financeira do SUS, que não deveriam ser vistas como apenas duas das tantas endemias que possuímos e que só recebem cuidados quando se perde o controle.
Caso a Dilma, tão preocupada com a educação de nosso povo, atentasse para a importância das práticas desportivas na formação moral, intelectual e física de todos nós, ela não estaria se limitando a poucas e superficiais citações acerca do tema. Não se esqueceria de que uma ação que pulverizasse esse tipo de comportamento em todas as nossas escolas potencializaria a capacidade de aprendizado.
Não basta construir equipamentos esportivos. Temos de investir em recursos humanos para viabilizar a conquista dos objetivos e tratá-los como merecem. Garanto que construiríamos uma poupança de conhecimento e informação que muito nos serviria no futuro.
Se o Serra tivesse se dado conta de que esse é um tema da maior importância para uma campanha eleitoral, ele não teria abdicado de discutir com a sociedade organizada essa questão. Até porque o nosso povo entende mais de esporte do que de política e que, se bem divulgado, esse tema até poderia servir de parâmetro para a escolha e definição de milhares de votos.
Dilma diz que fez muito pelo estado na Casa Civil do governo que ora se encerra. E no esporte, o que foi feito? Só o esporte de alto rendimento e profissional foi contemplado com alguma coisa; logo ele que não deveria ser prioridade. Além disso, foi tudo feito para ser perdido em muito pouco tempo.
Espera-se que a lei de incentivo fiscal atenda a todas as questões pertinentes. Na verdade, uma lei desse tipo em geral passa ao largo dos interesses do Estado e da nação. Algo que a Petrobras percebeu, decidindo alterar a sua rota ao lançar o programa Esporte e Cidadania. Talvez para mostrar a todos e aos candidatos a presidente os caminhos a seguir.
Nos anos anteriores sua cota da lei de incentivo foi parar nas mãos do COB. Cadê o resultado? Decidiu então elaborar ela mesma o seu programa que vai ao âmago da questão. Atacando o mal pela raiz, ainda que com limitados recursos, a estatal nos mostra como devemos agir.
É necessário que todos, principalmente os candidatos a presidente e os legisladores, se abram para a discussão mesmo que pouco ou nada entendam do assunto. Não podemos mais prescindir de cuidados em uma área tão importante. Passem do discurso à ação, acabem com a miséria, com o desemprego e tudo mais, e promovam a democracia de verdade. Mas não se esqueçam dessa ferramenta tão importante para a formação e saúde da nação. Entendam de uma vez por todas o quanto o esporte – não só o de competição, mas principalmente o educacional – é fundamental.

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