Por Luciano Martins Costa no Observatório da Imprensa | |
A Folha de S.Paulo ignorou o assunto, mas o Estado de S.Paulo e o Globo colocaram em destaque, inclusive com manchete no jornal carioca, a nova versão do IDH – Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, que comemora vinte anos de existência. Ao lado do Censo 2010, que está em fase de conclusão, esses dados serão fundamentais para o planejamento das ações de governo nos próximos anos, e devem balizar os critérios de análise da imprensa sobre políticas públicas. Alguns números vão afetar diretamente as relações entre o Executivo e o Congresso, como as proporções da receita de tributos a serem distribuídas pelo Fundo de Participação dos Municípios. Educação O Brasil aparece no documento das Nações Unidas como o país que mais avançou no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano, apesar de ter sido prejudicado com a mudança de parâmetros para medição de níveis de educação. O fator que prejudica o desempenho brasileiro na nova versão do IDH se refere à escolaridade, ou média de anos de estudo de quem tem mais de 25 anos e a expectativa para crianças matriculadas hoje, item no qual o Brasil tem números menos expressivos em função do histórico recente de déficit escolar. Trata-se, portanto, de uma questão de longo prazo, que não era respondida pelos indicadores de analfabetismo e taxa de matrícula, utilizados anteriormente. Os indicadores baixos de escolaridade refletem, por outro lado, o outro elemento negativo apontado pelo estudo da ONU: o Brasil ainda se ressente com a má distribuição de renda e as desigualdades regionais. A concentração de riqueza em uma parcela pequena da população, a lentidão na oferta de acesso universal à educação – que torna ainda mais desiguais as oportunidades – as diferenças na disponibilidade e qualidade do atendimento à saúde e o saneamento básico completam o quadro de carências que o Brasil ainda precisa superar para ser considerado um país desenvolvido. Esse é o pano de fundo que deve nortear as decisões políticas e econômicas do governo, em conjunção com as metas de desenvolvimento e a melhor gestão territorial, que inclui, como objetivos não excludentes, a produtividade e a preservação do patrimônio ambiental. Se a imprensa conseguir exercer um papel fiscalizador levando em conta essas prioridades, estará fazendo um bom trabalho. | |
"O que tem fome e te rouba o último pedaço de pão, chama-o teu inimigo... Mas não saltas ao pescoço do teu ladrão que nunca teve fome." Bertolt Brecht
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
O mapa do desenvolvimento
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