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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A volta da CPMF

no Observatório da Imprensa

Diante do desafio de melhorar a qualidade dos serviços de saúde, anunciado como uma das prioridades do futuro governo de Dilma Rousseff, alguns personagens da política começam a se movimentar, e, em seu rastro, vai também a imprensa.

A primeira iniciativa, creditada aos governadores eleitos pelo Partido Socialista Brasileiro, que pertence à base aliada do governo federal, defende a recriação da CPMF, Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira.
No entanto, aberta ou dissimuladamente, a maioria dos governadores eleitos neste ano apóia a medida.

Está claro que, diante da perspectiva de ter que dedicar boa parte de seus orçamentos à saúde, no caso de se concretizar o anúncio feito pela presidente eleita, os futuros governadores tratam de arranjar recursos de fora do orçamento de seus estados. E a solução mais óbvia é justamente o tributo inventado pelo ex-ministro Adib Jatene.

Segundo consulta feita pelo Estadão, dos 27 governadores que tomarão posse em janeiro ou que renovarão seus mandatos, pelo menos 14 se declaram a favor de ressuscitar a CPMF. Entre esses, destaca-se pelo menos um oposicionista, o mineiro Antonio Anastasia, eleito pelo PSDB.

Como se sabe, o fim da CPMF foi considerado como a maior derrota do presidente Lula da Silva no Congresso, num período em que seu governo era acossado por denúncias de corrupção.

Embora o movimento tenha uma clara origem nos futuros governantes estaduais, oGlobo afirma que a iniciativa de recriar o chamado "imposto do cheque" foi estimulada por baixo dos panos pelo presidente Lula, como uma vingança contra a oposição.

Ninguém pode adivinhar as razões dos editores do jornal carioca para interpretar os sentimentos de um governante, mas qualquer um pode entender os ressentimentos doGlobo após o resultado das eleições.

O que se pode observar é que essa suposição não altera a realidade apontada peloEstado de S.Paulo: se os governadores quiserem a CPMF vai voltar.

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