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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Palocci na Saúde?

no Noblat


Você viu pela televisão na noite do último domingo a saída de sua casa em Brasília da presidente eleita Dilma Rousseff? Viu sua chegada ao Hotel Nahum? Ouviu-a discursando depois no auditório do hotel?
Quem lhe pareceu a segunda pessoa mais importante em toda aquela ocasião?
Michel Temer, o vice-presidente da República eleito junto com Dilma?
Temer estava de camisa social branca do lado direito de Dilma enquanto ela discursava. Olhava para frente. Só olhava para Dilma quanto batia palmas.
Havia uma mulher loura, de calça jeans, atrás de Dilma. Era Louisiane Lins, a descontraída prefeita de Fortaleza. E havia no palco um cidadão de terno escuro, sem gravata, cabelos desgrenhados. Era o senador Magno Malta, do Espírito Santo. Um papagaio de pirata.
Se você prestou atenção, aposto que concordará comigo na identificação da segunda pessoa que parecia ser a mais importante: Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda.
Naturalmente, Palocci se destaca. É alto, tem um corpo avantajado e barbas grisalhas. Mas na noite do domingo ele se destacou também por outras particularidades.
Foi ele que estava dentro do carro que transportou a presidente até o hotel.
Quando o carro esbarrou em um grupo de jornalistas, e eles apontaram para a presidente microfones e câmeras, Palocci posou sua mão direita no ombro de Dilma. Ele sabia que  aquela cena estava sendo transmitida ao vivo para todo o país.
Mais tarde, enquanto Dilma discursava, Palocci adiantou-se alguns centímetros na direção da boca do palco. E dali, olhando para Dilma, ouviu com atenção tudo o que ela disse.
A política tem muitas linguagens - e a corporal é uma delas. Às vezes é a mais expressiva (alô, alô Jânio Quadros!).
Palocci foi escalado por Lula para ser um dos monitores de Dilma durante a campanha.
No seu primeiro ato como presidente eleita, ontem pela manhã, Dilma anunciou a equipe que cuidará da transição entre o governo Lula e o seu futuro governo.
Palocci faz parte da comissão formada por seis pessoas. Cuidará da "parte institucional". Mas não cuidará sozinho. Dividirá a tarefa com Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, ex-candidato do PT ao Senado por Minas Gerais derrotado no último dia três.
Pimentel é amigo e confidente de Dilma desde que ambos lutaram contra a ditadura militar de 64, foram companheiros de cela e sofreram todo o tipo de humilhação.
Jornais de hoje trazem a informação de que Lula não quer Palocci como chefe da Casa Civil nem como ministro da Fazenda. Antes quis. Agora recomenda Palocci para ministro da Saúde.
Se depender de Dilma, Palocci não será chefe da Casa Civil nem ministro da Fazenda.
Lula antecipou-se à vontade de Dilma escalando Palocci para outro ministério. Poderá mais tarde dizer que sua sugestão foi atendida.

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