Páginas

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

waltel pelas ruas de curitiba

Noites atrás batendo papo com a Pih Morais (boa amiga de Curitiba) ela começou a me contar algumas histórias do guitarrista e violinista Waltel Branco. Waltel mora próximo a casa dela, e vez em quando eles compartilham um taxi de volta para casa, invariavelmente saídos de noites musicais. Waltel não é apenas amigo de uma amiga. Waltel é simplesmente mais um músico genial esquecido pelo Brasil. A música e o músico tão laureados no país, são também facilmente esquecidos. Esta retórica, vamos aos fatos.
Waltel nasceu na cidade de Paranaguá, em 1926. Envolvido com música desde sempre, foi tocar em Cuba e EUA no final da década de 40, integrou a banda do batera Chico Hamilton e ladeou Perez Prado, Mongo Santamaria. Foi um dos bruxos da bossa nova, que não receberam o valor da fatura. Maestro, violinista, arranjador, fez trilhas de filmes, tocou com pseudonimos (Airto Fogo por exemplo), música de novela, swingou, harmonizou, colocou violão e guitarra nos sulcos mais improváveis e nos mais selecionados. Mas o importante é que Waltel esta vivo lá em Curitiba, esperando para ser homenageado, valorizado, lembrado e reconhecido, e como dizia o Nelson Cavaquinho:
Sei que amanhã

Quando eu morrer

Os meus amigos vão dizer
Que eu tinha um bom coração
Alguns até hão de chorar
E querer me homenagear
Fazendo de ouro um violão
Mas depois que o tempo passar
Sei que ninguém vai se lembrar
Que eu fui embora
Por isso é que eu penso assim
Se alguém quiser fazer por mim
Que faça agora.

O Waltel ta aí e sua música em belos registros, e de vez em quando ele pega o taxi com a Pih Morais para voltar para casa. Waltel e sua música, não precisa de compaixão, nem frases piegas, esta lá prontinho pro Brasil ser um pouco menos hipócrita.


Nenhum comentário:

Postar um comentário