Notícia publicada no jornal O Povo de 23/03/2011. Disponível em: http://www.opovo.com.br/app/opovo/fortaleza/2011/03/23/noticiafortalezajornal,2116594/saude-exige-mais-recursos.shtml
A reabertura gradativa de 40 leitos no Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) confirmada, segunda-feira, pela Universidade Federal do Ceará (UFC) não satisfez alunos, professores e servidores da área de saúde da instituição. Estudantes paralisaram ontem suas atividades em ato exigindo maior financiamento para o Hospital e posição contrária a Medida Provisória 520, que autoriza a criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares.
O professor e chefe do departamento de Medicina Clínica do curso de Medicina da UFC, José Milton, comentou que ao mesmo tempo que o HUWC é o 3° centro de transplante do Brasil, faltam materiais básicos e emergência. Para ele, é importante que se compreenda a importância do Hospital e que os três níveis de gestão (municipal, estadual e federal) se unam para revitalizar o HUWC.
Em Audiência Pública na Reitoria da UFC, os estudantes esperavam a presença do reitor Jesualdo Farias, mas em seu lugar, compareceu o superintendente do HUWC e da Maternidade Escola, Florentino Cardoso. O superintendente concordou sobre a situação de sucateamento, classificada por ele como “caótica e agonizante”. Ele também definiu como irresponsabilidade a reabertura da emergência nesse momento, pois não teria “quem pagasse a conta”, apontando a obtenção de recursos como solução.
Medida Provisória
Outro ponto de debate na audiência pública foi a Medida Provisória 520/2010, que para estudantes e servidores significa um passo para a privatização do Hospital. Segundo o superintendente, se a MP for a única realidade para a resolução da precarização dos vínculos empregatícios do HUWC, será necessário que se trabalhe para que ela não fira a autonomia da UFC. Florentino declarou que enquanto for superintendente não permitirá privatização.
Enquanto os problemas são discutidos, o estudante do 3° semestre de Medicina, Samuel Mesquita, teme prejuízos na sua formação devido às crises no HUWC. Já Graça Madeira se forma no fim do ano e relata a falta de remédios, leitos e pacientes, que não estão sendo admitidos na maioria das especialidades. Alunos dizem que, muitas vezes o que se trabalha é o conhecido CTA (Conforme Tem no Armário). “A gente dá para o paciente o que a gente tem e nem sempre o que ele realmente precisa”, comentou uma residente.
ENTENDA A NOTÍCIA
O Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) é o principal campo de prática para os estudantes da área de saúde da UFC. Estudantes apontam o problema do sub-financiamento, pedindo a reabertura de 100% dos leitos, mais recursos e a posição contrária à MP 520.
Autora: Samaisa dos Anjos
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