Karina Toledo no Estadão via clipping MS
Levantamento de sindicato aponta má gestão e baixa remuneração por parte de operadoras como causas da desativação de unidades particulares
A Grande São Paulo perdeu, nos últimos dez anos, 20 hospitais particulares, mostra levantamento do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Sindhosp). Apenas no último mês foram fechadas três unidades. Entre as causas estão má gestão e baixa remuneração por parte das operadoras.
O caso mais recente foi o do Complexo Hospitalar Paulista (CHP), na Consolação, que teve de transferir os pacientes às pressas no último dia 21 por causa de uma ação de despejo. O prédio foi esvaziado e a equipe médica não pôde levar nem os prontuários dos internados.
Um dos removidos foi a funcionária pública Conceição dos Anjos, de 52 anos, que estava internada havia quatro dias por causa de uma anemia profunda. Como não conseguiu autorização a tempo para ser internada em outro hospital do plano, foi levada para o Hospital Presidente, no Tucuruvi, que pertence ao mesmo grupo do CHP. Morreu no dia seguinte.
"Ela começou a ter falta de ar já na ambulância e foi para a UTI na manhã de sexta, dia 22. Às 20 horas me ligaram dizendo que ela havia sofrido parada respiratória", conta a irmã Sueli Maria dos Anjos. Por meio da assessoria de imprensa, os representantes do CHP disseram que foram surpreendidos pela ação de despejo e vão tentar reverter a situação.
Segundo Sayegh Neto, advogado dos proprietários do edifício, a direção do hospital não pagava aluguel desde outubro de 2010. A dívida seria de R$ 2 milhões.
Também neste mês foram fechados o Hospital Panamericano, na Vila Madalena, e o Hospital e Maternidade de Mauá, ambos da operadora Samcil. A empresa enfrenta uma grave crise e recebeu prazo da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para negociar sua carteira de beneficiários até amanhã.
As duas últimas unidades da rede que ainda estão abertas - Hospital Vasco da Gama, no Brás, e Hospital e Maternidade São Leopoldo, em Santo Amaro - funcionam de forma precária e estão sendo esvaziadas.
"Meu marido tem um problema sério de coluna e não há neurocirurgião para operá-lo. Ele está internado há quatro dias, só tomando morfina. Hoje a médica quis dar alta porque não tinha mais o que fazer", conta a dona de casa Cássia de Marco.
A reportagem tentou contato com a Samcil, mas não obteve retorno.
Dificuldades.
Segundo Danilo Bernick, do Sindhosp, os hospitais menores e mais periféricos têm baixo poder de negociação com as operadoras e acabam sendo muito mal remunerados. Além disso, diz, são comuns os casos em que as operadoras negam o pagamento de serviços ou pagam apenas parte. "Isso impossibilita o equilíbrio econômico. Para piorar, muitas unidades sofrem com a má gestão."
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