Verificar a prevalência de transtornos mentais comuns (TMC) e sua associação com a qualidade de vida: esse foi o principal objetivo de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Católica de Pelotas. A pesquisa, publicada na revista Cadernos de Saúde Pública da Fiocruz, avaliou mais de 1.500 jovens de 18 a 24 anos moradores da cidade de Pelotas no Rio Grande do Sul. Os resultados apontaram uma prevalência de TMC de 24,5%.
| Segundo os estudiosos, os transtornos mentais comuns abrangem sintomas como insônia, fadiga, esquecimento, irritabilidade, dificuldades de concentração, queixas somáticas e sentimento de inutilidade. |
“São amplamente reconhecidas e estudadas as questões referentes à saúde mental e qualidade de vida, uma vez que são fundamentais para uma organização mais efetiva do sistema de saúde e o planejamento de promoção de saúde”, afirmam os pesquisadores. “A ocorrência de TMC pode refletir na baixa qualidade de vida dos jovens, justificando então a necessidade de estudos que avaliem tal relação, já que a percepção de saúde geral do indivíduo está diretamente relacionada ao bem-estar físico e psicológico”.
Segundo os estudiosos, os transtornos mentais comuns abrangem sintomas como insônia, fadiga, esquecimento, irritabilidade, dificuldades de concentração, queixas somáticas e sentimento de inutilidade. Dentre esses transtornos associados ao declínio da qualidade de vida está a depressão, por aumentar a sensação de dor e a incapacidade funcional e diminuir a qualidade das relações sociais, o transtorno bipolar, o transtorno do pânico e o transtorno de ansiedade generalizada. “Mesmo que o instrumento de pesquisa utilizado não possibilite a identificação específica dos transtornos mentais em questão, é provável que a grande maioria dos indivíduos que obteve escore indicativo de TMC apresente algum transtorno de humor ou de ansiedade”, explicam os pesquisadores.
Os dados indicaram que a prevalência apresentou-se mais evidente entre as mulheres, entre aqueles que pertenciam a menor classe socioeconômica (D ou E), não estavam trabalhando ou estudando, consumiram álcool e usaram tabaco pelo menos uma vez na última semana e que fizeram uso de alguma substância nos últimos três meses. “Os TMC são uma das maiores demandas da atenção em saúde de classes menos privilegiadas”, comentam os pesquisadores. “Há prioridade das políticas de saúde para maior atenção ao rastreio de transtornos mentais graves. Deve-se investir em medidas preventivas de TMC no intuito de proporcionar uma melhor qualidade de vida à população”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário