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sábado, 7 de maio de 2011

Pronto-socorro se transforma em via rápida para o paciente

HÉLIO SCHWARTSMAN

ARTICULISTA DA FOLHA

Consultas com especialistas e cirurgias eletivas estão entre os maiores gargalos do SUS. A espera por uma operação pode chegar a anos, o que, dependendo do quadro do paciente, é incompatível com a vida. A capacidade de resistir na fila é que decide quem vive e quem morre.

SUS, entretanto, é uma estrutura complexa e cheia de meandros, com diferentes vias de entrada no sistema. Elas incluem, além da consulta marcada, a emergência, a "carteirada" (indicação) e até o interesse científico. Se o caso vale um artigo médico, é quase certo que o paciente será bem atendido.

O mais difundido desses caminhos alternativos é o pronto-socorro. Pelas vias ordinárias, a espera por uma cirurgia cardíaca (pontes de safena), por exemplo, pode chegar a 30 meses. Mas, se o paciente tem a "sorte" de ter um episódio de angina instável e correr para uma sala de emergência, será absorvido pelo sistema, com boas chances de conseguir imediatamente os procedimentos de que necessita.

Até aí, tudo normal. Não há sistema de saúde no mundo que não priorize as emergências. O problema, no Brasil, é que a diferença entre o caminho ordinário e a via rápida é grande demais, o que dá margem a uma série de distorções.

Para piorar, à medida que serviços básicos como o Saúde da Família avançam, revelam novas demandas reprimidas.

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