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terça-feira, 24 de maio de 2011

Slow Food cataloga produtos brasileiros ameaçados de extinção


na Folha

Maracujá da caatinga, jatobá e piracuí são os três novos produtos brasileiros que integram a Arca do Gosto, catálogo organizado pela organização internacional Slow Food com ingredientes ameaçados de extinção.

Ana Paula Boni/Folhapress
O maracujá da caatinga foi incluído na Arca do Gosto, catálogo da organização Slow Food que abrange produtos ameaçados de extinção
O maracujá da caatinga foi incluído na Arca do Gosto, catálogo do Slow Food com produtos ameaçados de extinção
Com os novos protegidos, cujo anúncio foi feito nesta segunda-feira (23), em São Paulo, a lista soma 24 produtos brasileiros. Atualmente, a Arca do Gosto conta com cerca de mil ingredientes espalhados por 58 países.
Conheça a lista completa em www.slowfoodbrasil.com.br.
Entre as novidades, o maracujá da caatinga, de casca e interior com coloração verde, possui paladar mais adocicado que o maracujá comum, amarelo. O jatobá, árvore nativa do cerrado, gera uma vagem cuja polpa é uma farinha. Essa farinha é usada em preparos que podem substituir a farinha de mandioca, por exemplo.
Ana Paula Boni/Folhapress
Suspiro feito pelo chef Rodrigo Oliveira, do Mocotó, com farinha de jatobá, que entrou para a Arca do Gosto do Slow Food
Suspiro feito por Rodrigo Oliveira, do Mocotó, com farinha de jatobá, que entrou para catálogo de organização internacional
Já o piracuí é uma farinha feita dos peixes acari e tamuatá, encontrados na região de Manaus. Em um forno, os peixes secam e são esmagados, dando origem a essa farinha, de sabor acentuado de peixe.
O anúncio dos novos produtos foi realizado no restaurante Mocotó, zona norte de São Paulo, onde o chef Rodrigo Oliveira preparou receitas com esses ingredientes.
Para ser incluído na Arca do Gosto, criada em 1996, o produto deve ter qualidades gastronômicas, ser produzido artesanalmente e de forma sustentável e estar em risco de extinção.

Slow Food
Fundada pelo italiano Carlo Petrini em 1986, a organização Slow Food defende, em resposta aos efeitos da "fast food", uma ecogastronomia onde os alimentos são bons (nutritivos e saborosos), justos (com justiça social da produção à venda) e limpos (sem prejudicar o ambiente).
"Comer é um ato agrícola. Se eu como um produto das indústrias, estou ajudando as multinacionais", afirmou Petrini em entrevista concedida à Folha em 2010, em evento da organização realizado em Brasília.
Atualmente, o movimento conta com mais de cem mil membros e está espalhado por 132 países.

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