Dona Aurinha, que é minha mãe (mas age também como se fora minha sogra), resolveu se aventurar no mundo da informática. Como não é de bom tom revelar a idade das senhoras, apenas devo informar que ela (minha sogra/mãe) está rodando o sistema operacional 8.0.
Um dos filhos logo se apresentou e a ajudou a comprar uma máquina, impressora, câmera e tudo mais. Tudo dentro dos conformes.
Aos aventureiros que se apresentaram para ajudá-la nos primeiros passos, ela gentilmente (a seu modo) declinou. As amigas do grupo de terceira idade, com quem ela sai todos os finais de semana, já tinham indicado uma professora adequada para principiantes da faixa 8.0.
Devo confessar que isto me concedeu uma dose imensa de alivio.
Ontem ela pediu arrêgo. Não havia localizado a professora e não tinha a menor idéia nem mesmo qual era o botão que botava a máquina para funcionar.
Final da tarde, escoltado pelo meu filho e assessor João (roda sistema 0.4) chegamos ao apê de Dona Aurinha. Logo fui ensinando (trying my best) como proceder para ligar a máquina, como carregar o navegador, etc e tal.
Daí ficou evidente que a grande dificuldade de Dona Aurinha consiste em pilotar o famigerado “mouse”. Questão de pouca prática, afinal, prá quem passou boa parte da vida datilografando material didático em papel “stencil” para os alunos, o teclado não deverá ser grande problema.
Percebi que meu irmão (que comprou a máquina) já havia se antecipado ao problema e havia deixado marcadas alguma páginas de exercícios on line para treinar a pilotagem do mouse.
Lá fomos - com alguma dificuldade - progredindo, até que chegou um exercício em que ela deveria comandar o cursor sobre um mata-moscas e abater meia dúzia de insetos que ficavam se movendo na tela. A coordenação não ajudava. Hora ela se atrapalhava com o movimento do mouse/cursor, hora clicava com o botão no momento errado. Ânimos começando a se exaltar, Dona Aurinha impaciente, João observando tudo de longe, chupeta na boca, sentadinho comportado no sofá.
Toca a campainha, Dona Aurinha pula para atender a porta. Quem a conhece bem, sabe que “pula para atender” é a tradução literal do movimento que ela fez. Fomos ver o que se tratava. Voltamos em menos de 2 minutos.
Ao entrar na sala, damos de cara com o João que - sorriso escancarado e chupeta na boca - nos informa triunfalmente:
“Pai, consegui matar todas as moscas para ajudar a vovó”.
Na tela a mensagem: “Parabéns, exercício completado! Você pode passar para a outra fase”.
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