no Noblat
Mulher e irmão do governador do PR assumem novas secretarias
Marcus Vinicius Gomes, O Globo
A Assembleia Legislativa do Paraná aprovou ontem o projeto de lei do governo do estado que dá superpoderes a duas secretarias comandadas por José Richa Filho, o Pepe, e Fernanda Richa, respectivamente, irmão e mulher do governador Beto Richa (PSDB).
A aprovação do projeto garante a dissolução da Secretaria de Obras Públicas, hoje sob comando de Richa Filho, e a dos Transportes, unificando-as na Secretaria de Infraestrutura e Logística, que absorverá, nos próximos anos, cerca de R$ 5 bilhões do PAC destinados a investimentos em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. A nova pasta ficará encarregada ainda da administração das autarquias ligadas aos transportes (Detran e DER).
O projeto também amplia os poderes da Secretaria da Criança e da Juventude, a cargo de Fernanda Richa, que passará a se chamar Secretaria da Família e do Desenvolvimento Social, concentrando programas federais como o Bolsa Família e o Brasil Sem Miséria. Os deputados aprovaram ainda a criação de 127 cargos comissionados (de livre nomeação) para a Secretaria da Família.
Para a oposição, o governo Richa repete o nepotismo de seu antecessor, Roberto Requião (PMDB), que por oito anos manteve ao menos seis parentes diretos em cargos de primeiro e segundo escalão. Entre eles a mulher, Maristela Requião, e os irmãos, Maurício e Eduardo Requião.
— Tamanha concentração de poder só encontra paralelo com o período da Idade Média, quando alguns reis e suas famílias detinham todo o poder de decisão sobre a organização do estado — disse o deputado petista Ênio Verri.
O líder do governo na Assembleia, deputado Ademar Traiano (PSDB), reagiu:
— O PT deu dois superministérios para a mesma família, nas pessoas da senadora Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e do ministro Paulo Bernardo (Comunicações). Não estou criticando essas escolhas. Pelo contrário: acredito que estão lá por serem competentes, como o Pepe e a Fernanda.
Traiano utilizou-se do argumento do "notório saber" para defender a permanência dos parentes do governador nas supersecretarias, repetindo a justificativa do hoje senador da República, Roberto Requião, que autointitulava-se um "nepotista militante". E acusou Ênio Verri de fazer declarações equivocadas ao afirmar que as duas supersecretarias consumiriam 80% do orçamento do estado:
— Como é possível destinar 80% dos R$ 24 bilhões a apenas duas secretarias? Os números estão no site do governo: são R$ 358 milhões para a Secretaria de Infraestrutura e R$ 204 milhões para a Secretaria da Família.
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