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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Pelo direito de ser mãe a todo instante


Brasilienses seguem o movimento nacional e se reúnem na Asa Norte para protestar contra as reações adversas provocadas por mulheres que amamentam os filhos em público


ANA POMPEU no Correio Braziliense




Um grupo de mães realizou na tarde de ontem, Dia Mundial do Meio Ambiente, um "mamaço" pelo direito de amamentar seus filhos em público. O manifesto reuniu cerca de 30 mulheres e várias crianças em um piquenique no Parque Olhos d"Água, na Asa Norte. A motivação do encontro surgiu com a onda de reações adversas geradas depois que uma antropóloga foi impedida de amamentar seu filho no Itaú Cultural, em São Paulo, e uma internauta teve uma foto de quando alimentava o filho retirada de uma rede social por ser considerada inadequada. São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis e Recife também se organizaram para apoiar o movimento.




Depois dos dois fatos terem acontecido em um intervalo curto de tempo, 50 mães se reuniram no próprio Itaú Cultural, desta vez com o apoio do lugar, para o primeiro mamaço. Outra movimentação se deu na internet, quando várias mães colocaram fotos amamentando seus bebês nos perfis das redes sociais. A reação negativa de alguns profissionais de comunicação, que se posicionaram contra a amamentação em público, foram a origem da ideia para a organização do mamaço nacional, em várias cidades do país.




"Sou a favor de que seja tudo muito natural. Fico chocada com as pessoas que se chocam por verem uma mãe com um peito de fora para alimentar o filho. É uma coisa natural como em muitas espécies animais. Por mais que tenhamos nossa cultura, que nos diferecia do mundo animal, ainda há pontos que precisamos preservar dessa natureza", defende a psicóloga Dulce Ferraz, mãe de Nina, 11 meses. Foi esse espírito que reuniu essas mulheres. A intenção era aproveitar a polêmica para disseminar a ideia já defendida pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial de Saúde(OMS) da livre demanda, ou seja, deixar o bebê mamar quando e quanto ele quiser, seja por fome, necessidade de sucção ou simplesmente saudade.




Pela internet




A jornalista Paloma Varon foi uma das maiores incentivadoras do evento em Brasília. Segundo ela, toda a organização se deu por meio virtual, em listas de e-mail, redes sociais e blogs. "Essa reação contra o direito de amamentação é puro preconceito e machismo, também, daqueles que só veem a mulher como objeto sexual. Não entendo porque muita mulher anda com peito de fora em outros contextos, como carnaval ou praias, e isso é bem aceito", compara. Paloma tem uma filha de quatro anos, que foi desmamada com apenas três meses porque, segundo ela, foi mal orientada na época. "Isso me motivou a me engajar nesse movimento para não cometer o mesmo erro com a Clarice, que ainda tem 10 meses", explica.




Muitas mães ainda se sentem constrangidas com os olhares de reprovação que recebem quando amamentam em público, como já aconteceu com a servidora pública Tatiana Vicentine. "Tenho amigas que já foram convidadas a amamentar em outro lugar, outra foi expulsa de um bar em Londres pela dona, além dos olhares tortos quando a gente tira o peito em um banco de shopping", exemplifica.




Ministério da Saúde recomenda que a sociedade apoie a mulher que amamenta. O bebê que mama no peito não precisa de outro alimento, sendo também um bom exercício para a criança desenvolver dentes fortes, a fala e uma boa respiração, além de favorecer a relação afetiva com a mãe. Há benefícios também para a mulher, já que diminui as chances de ela desenvolver anemia, o sangramento pós-parto diminui e ela perde peso mais rápido.




"Tenho amigas que já foram convidadas a amamentar em outro lugar, outra foi expulsa de um bar em Londres"


Tatiana Vicentine, servidora pública

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