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quarta-feira, 8 de junho de 2011

A surpresa Gleisi


Várias coisas me chamam a atenção na decisão da presidenta Dilma publicada na tarde de ontem (na nota oficial não é Dilma que demite o ministro da Casa Civil, mas Palocci que pede demissão).
A primeira delas é a própria indicação da substituta de Palocci: Gleisi não é do círculo do PT duro, dos paulistas caciques, é do Paraná, é mulher, vinha tendo uma atuação importante na defesa do governo no Senado, seus enfrentamentos com Álvaro dias, por exemplo, lembram o enfrentamento de Dilma com Agripino Maia.
Nos círculos internos do PT tem fama de boa gestora.
Na imprensa tradicional o anúncio de Gleisi para ocupar a Casa Civil pegou todos de surpresa a ponto de os perfis traçados serem sofríveis, nos portais de ontem os jornalões só conseguiam falar que ela é loira, bela, olhos claros, mulher de ministro e outras atributos sexistas. Até Caras certamente faria melhor.
Os jornalistas de ‘time’ no twitter começaram a desqualificá-la imediatamente após sua nomeação.
A considerar as opiniões dos círculos internos do partido, com Gleisi, Dilma (que foi o braço esquerdo e direito do governo Lula na Casa Civil), finalmente encontrou a sua ‘Dilma’ para a Casa Civil.
Na esquerda, ambientalistas e ativistas LGBT colocaram senões à indicação de Gleisi por declarações atribuídas a ela veiculadas na impresa a respeito da discriminalização do aborto, da aprovação do PLC122 e da reforma do código florestal.
Acho que é muito cedo para as críticas, lembrando que absolutamente nada disso é atribuição de uma ministra da Casa Civil. A reforma do código vai para votação no Senado e a presidenta já afirmou que vetará artigos que possibilitem o desmatamento; a aprovação do PLC122 depende de nossa pressão e articulação no Legislativo, assim como a descriminalização do aborto e o tratamento digno no SUS às mulheres que abortam.
Para encerrar, discordo de vaticínios como do meu amigo Eduardo Guimarães. Também não acho que essa é uma vitória do PIG (no máximo uma vitória de Pirro, diante da indicação de  Gleisi por Dilma). Depois do resultado da representação da oposição contra Palocci na Procuradoria Geral da União se Dilma quisesse poderia ter bancado Palocci, legalmente nada foi provado contra ele. Por que um dia depois o ministro ser inocentado a presidenta ‘aceitou’ a sua demissão? Atribuir ao PIG a demissão de Palocci é ignorar que parcela da militância petista e até alguns caciques do partido não apoiavam a política neoliberal de Palocci nos cinco meses do governo Dilma.
Política institucional não é uma equação matemática, é um campo de disputas e os avanços ou retrocessos depende da capacidade de mobilização das forças em disputas. Se ficarmos assistindo de camarote e acuados diante das pressões de grupos ruralistas, bancada fundamentalista, lobby das teles etc. o governo de coalização não terá forças para mudanças. Portanto também depende de nós que esse governo avance em termos de democratização e justiça social e certamente não será ficar atribuindo tudo ao PIG (inclusive os excessos de Palocci) que conseguiremos avançar.

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