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domingo, 10 de julho de 2011

Reconhecer canudo custa até R$ 20 mil

Valor inclui tradução juramentada de documentos, inscrição em provas e complementação de estudos

Revalidar um diploma estrangeiro no Brasil custa, em média, R$ 20 mil.



O valor inclui inscrições nas universidades públicas, tradução juramentada dos documentos, complementação de estudos e até viagens para fazer a prova de verificação de conhecimentos em outros locais, segundo especialistas ouvidos pela Folha.



Se o curso da universidade estrangeira e o da nacional não forem semelhantes, o profissional terá de cursar disciplinas adicionais no Brasil. Em instituições particulares de ensino, cada módulo custa cerca de R$ 1.000.



Mas todos esses números podem ser maiores. Como é possível pedir a revalidação em universidades diferentes -que cobram em torno de R$ 1.500 por processo-, o profissional muitas vezes tem de arcar com mais taxas administrativas e com cópias autenticadas dos documentos.



A médica Eliane Carpes de Oliveira, 31, que se formou na Unitepc, na Bolívia, em 2008, desembolsou cerca de R$ 18 mil na busca pelo diploma.



Ela cursou sete disciplinas em faculdade particular brasileira para complementar conhecimentos em questões nacionais -entre elas, como funciona o SUS (Sistema Único de Saúde) e legislação.




SEM INCENTIVOS



Além disso, gastou com viagens e hospedagem para fazer exames em diferentes Estados. "Cada prova acaba custando R$ 2.000", calcula.



A médica diz que, se pudesse escolher, não teria ido para outro país estudar, mas o fez por ordem dos pais. "A dor de cabeça na volta é grande. Há muita discriminação com quem se formou no exterior sem fazer vestibular", conta ela, que, como não pode atuar na área de formação, aproveita para preparar-se para o Revalida e para fazer cursos de atualização.



Evandro de Carvalho, pró-reitor de graduação da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), instituição que cobra R$ 800 por inscrição e analisa aumentar o preço em 2012, afirma que faltam incentivos para a revalidação de diplomas estrangeiros.




"[A análise dos documentos] demanda muito trabalho. É preciso montar uma comissão de três professores para analisar o processo, e eles não ganham nada para isso."

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