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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A Educação Brasileira a partir de números do Censo 2010 do IBGE



Alguns dados da educação brasileira que constam no Censo 2010 realizado pelo IBGE:

- A quantidade de crianças de 7 a 14 anos que está fora das escolas é de 3,1%.
- A parcela de crianças de 10 anos analfabetas no país é de 6,5%.
- A taxa de analfabetismo é 9,6% entre a população brasileira acima dos 15 anos (o que equivale em quantidade a aproximadamente 14 milhões de pessoas).
- Este índice de 9,6% de analfabetos na faixa etária indicada é pior do que o de nações africanas pobres e com grandes problemas sociais e políticos, como a Guiné Equatorial (7%) e o Zimbábue (8%).
- Os índices de analfabetismo (para maiores de 15 anos) no país revelam também as disparidades regionais, a saber: No Sul equivale a 5,1%; No Sudeste a 5,4%; No Centro-Oeste a 7,2%; No Norte a 11,2%; e no Nordeste a 19,1%.
- O analfabetismo é bem maior na zona rural que na urbana, chegando a índices médios de 23% em todo o país e ao pico de 32,9% na zona rural da região Nordeste.

Considerando-se que os dados mais recentes da economia mundial revelam que o Brasil tem hoje um dos maiores PIBs (Produto Interno Bruto) do mundo, atrás apenas dos EUA, China, Japão, Alemanha e Inglaterra e tendo portanto deixado para trás a França, a Espanha e a Itália, cabe sempre a pergunta: "Que país é este?".

Levando-se em conta que a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira) em seu artigo 5º estipula como responsabilidade do Estado (governo federal, estados e municípios) oferecer aos brasileiros o Ensino Fundamental como base mínima de educação dentro de nosso país, logo se vê que a legislação não está sendo aplicada como deveria. 

Nenhum brasileiro sem escola, nenhuma criança fora da escola, estas são metas a serem perseguidas e alcançadas incansavelmente pelos governantes e por todos nós. Extinguir o analfabetismo, chaga nacional que abala as bases estruturais do país é responsabilidade de todos, não apenas das autoridades, mas dos cidadãos que buscam uma nação mais justa, digna, ética, cidadã e próspera.

Se forem computados dados relativos ao analfabetismo funcional (relativo as pessoas que cursaram no máximo até a antiga 4ª série primária e que tiveram não apenas formação reduzida mas de baixa qualidade e que, por conta disso, não aprenderam realmente a ler, escrever, fazer contas...), calculam os especialistas que o país tenha entre 30 e 40 milhões de analfabetos...

O custo social, político e econômico desta tragédia brasileira é enorme e não pode ser relevado. Brigamos por tantas questões que são muito menos importantes e deixamos de nos indignar e posicionar em relação a esta realidade duríssima, que compromete o futuro do país e das próximas gerações de brasileiros.

Corremos o risco iminente de apagão de mão de obra e, certamente, não é possível pensar em cidadania, criticidade, politização, altivez sem o acesso a educação e, em especial, a educação de qualidade!

O pior é constatar justamente isso, ou seja, que estes dados não revelam a (baixa) qualidade da educação brasileira, apenas indicam o analfabetismo e a evasão...


Por João Luís de Almeida Machado

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