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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Caso crônico, porém, solucionável

Rhodrigo Deda, editor-executivo de Vida Pública na GP

Os municípios do interior do Paraná vão precisar tomar decisões estratégicas se quiserem atrair médicos para trabalhar na rede pública de saúde local. O Programa de Valorização de Profissionais da Atenção Básica (Provab), do governo federal, exigia uma contrapartida dos municípios em gastos com remuneração e auxílio-moradia. Como teria de haver o desembolso de recursos municipais, das 22 cidades que fizeram a seleção de médicos, apenas em São Miguel do Iguaçu houve a contratação de um profissional.

É fato reconhecido que cidades de pequeno e médio porte padecem de escassez de recursos, por ficarem com a menor parte dos tributos arrecadados. Mas isso não exime os municípios de colocarem a saúde pública como prioridade. Na hora de estabelecer uma ordem de relevância, gestores públicos devem pensar seriamente em reduzir gastos com estruturas administrativas, em especial a parcela orçamentária de câmaras municipais.

Em muitos casos, em vez de ampliar o número de vereadores, as câmaras poderiam renunciar aos valores que teriam por direito, e que eventualmente gastariam para manter novas cadeiras legislativas. Parte do orçamento das câmaras poderia ser usado pelas prefeituras para ampliar os recursos disponíveis para a saúde. Entretanto, o cenário é outro. Neste ano, pelo menos 38 cidades serão responsáveis pelo aumento de 134 cadeiras legislativas em todo o estado. Há uma ânsia para aumentar o número de parlamentares, sem que isso resulte em ganhos para a participação democrática.

Não é só dinheiro em abundância, entretanto, que vai levar médicos para o interior. É necessário que os gestores criem atrativos suficientes para que profissionais venham a considerar a possibilidade de morar nessas cidades. E isso se consegue dando boas condições de trabalho, proporcionando desenvolvimento pessoal e tornando o município um lugar de qualidade para se morar.

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