Justiça encontrou cópias de títulos eleitorais junto com guias apreendidas
no Globo
Assinar em branco folhas de receituários, atestados, laudos ou quaisquer outros documentos médicos e usar formulários de instituições públicas para prescrever ou atestar fatos verificados na clínica privada são vetados pelo Código de Ética Médica. Porém, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) só poderá agir no caso do derrame de guias se o Ministério Público estadual (MP) entender que o material apreendido no Projeto Renascer deve ser encaminhado ao órgão.
- Um receituário controlado assinado em branco pode até servir ao tráfico de medicamentos e entorpecentes - disse a presidente do Cremerj, Márcia Rosa de Araújo.
Além dos documentos médicos, a Justiça Eleitoral também recolheu no centro cópias de títulos de eleitores de supostos pacientes e remédios estocados no depósito, a maior parte amostras grátis, cuja origem será investigada.
O médico Carlos Augusto Rodrigues de Oliveira, procurado pelo GLOBO, negou o envolvimento no esquema. Ele disse que não é sua a assinatura que aparece sobre seu carimbo nas guias apreendidas. Carlos diz que trabalhou no Renascer e se desligou do projeto há oito anos. Luiz César Guimarães Ignácio, o outro médico cujo nome aparece nos documentos, foi procurado por intermédio de sua advogada, Renata dos Santos Melo, mas não retornou. Marli Soares de Lima, a administradora do posto Tancredo Neves, não foi localizada.
A Secretaria de Saúde de São Gonçalo abriu sindicância para analisar o caso. A assessoria de comunicação da prefeitura informou que receituários e pedidos de exames são entregues diretamente a cada administração das unidades de saúde. Em nota, a prefeitura anunciou que está implantando um novo sistema e está sendo monitorada por um programa do Ministério da Saúde, que visa a "melhorias na qualidade da atenção básica através de aparelhamento técnico e plano de metas".
Embora a prefeitura de São Gonçalo informe não ter ingerência sobre a Renascer, a quem cabe "explicar a origem e a existência do referido material", o centro social recebe, pelo menos desde 2007, repasses de recursos do município. Este ano, por exemplo, o orçamento local reservou R$ 148 mil à entidade. Em janeiro de 2009, Manoel Júlio, o Julinho do Renascer, foi nomeado ouvidor da prefeitura.
Na operação de quarta-feira, em São Gonçalo, a Justiça Eleitoral fechou outros centros sociais, além do Renascer.
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