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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Privatização do sistema de saúde vai atingir cerca de 1,5 milhão de espanhóis que eram atendidos pelo serviço público

Governo da Espanha inicia privatização do sistema de saúde

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA - O Estado de S.Paulo


Orgulho da Espanha por décadas, a saúde começa a ser privatizada para conter gastos púbicos. Ontem, o governo de Madri promoveu a maior privatização do setor da saúde da história democrática da Espanha, atingindo pelo menos 1,5 milhão de pessoas que eram atendidas no serviço público na capital do país. A privatização faz parte da estratégia do governo da região de reduzir a dívida do Estado.


O governo central europeu já havia anunciado o fim do atendimento gratuito para imigrantes vivendo de forma irregular na Espanha. Ontem, foi a vez do governo da região de Madri dar início à privatização dos centros de atendimento. Com uma maioria do Partido Popular no poder, a lei de privatização foi aprovada com folga.

Num esforço para evitar a privatização, funcionários de hospitais promoveram cinco semanas de greves, anulando 6 mil operações e 40 mil consultas. Ontem, centenas deles entregaram suas cartas de renúncia, em um ato de protesto. A meta era a de forçar o governo a entregar os hospitais e centros de atendimentos vazios aos novos proprietários. As autoridades acusaram médicos de "abusar" do direito de greve e garantiram que as vagas serão preenchidas rapidamente.

A partir de janeiro, os hospitais e centros de atendimento privatizados serão administrados por empresas que poderão determinar como vão cobrar pelos serviços. Em dois anos, os cortes nos orçamentos de saúde, educação e outros gastos sociais já somam 14 bilhões, apenas na Espanha.

Segundo as autoridades de Madri, protestos, greves e manifestações custaram à cidade 0,5% do PIB em 2012, cerca de 1,7 bilhão.

Prejuízo. Milhares de pequenos investidores e aposentados ainda sofreram um duro golpe ontem ao perderem praticamente todos os investimentos que haviam feito em ações de bancos espanhóis. Os papéis do Bankia perderam mais de 19% após o anúncio de prejuízos de 4,15 bilhões e de perdas na holding, a BFA, de 10,44 bilhões. Ao final do dia, a instituição foi retirada de forma indefinida do índice Ibex 35, que reúne as maiores empresas da Espanha cotadas na bolsa. Já o Banco de Valencia chegou a perder 21% nas bolsas ontem, diante da constatação dos prejuízos.

A avaliação foi feita pelo Fundo Ordenado de Reestruturação Bancária do governo da Espanha, que constatou que esses bancos tinham "valores negativos". A previsão é de que o pacote de resgate para os quatro bancos espanhóis fosse liberado pela UE e pelo FMI ainda hoje.

No caso do Bankia, porém, a realidade é que 350 mil acionistas serão deixados sem qualquer resgate. Durante anos, o banco fez uma ampla campanha de marketing para atrair acionistas, incluindo pensionistas.

O Bankia deve receber 18 bilhões em resgate. Mas o plano prevê que o dinheiro será usado para cobrir as perdas, e não garantir retorno de investimentos aos acionistas. Para muitos, isso significa abrir mão de todos os investimentos feitos. Pelos planos da UE, os acionistas deverão ser os primeiros na fila a aceitar as perdas.

Desde 2011, as ações do banco já perderam 80%.

Em julho de 2011, as ações do Bankia eram vendidas por 3,75. Naquele momento, o banco insistia que tinha um capital de mais de 10 bilhões. Ontem, as ações valiam apenas 0,58 com a constatação de que o buraco é bem mais profundo..

Já o Banco de Valencia, outro que foi estatizado, chegou a perder 21% de suas ações depois do anúncio de que seu buraco era de 6,3 bilhões. Os dois bancos, além do Catalunya Banc e NCG Banc, receberão nos próximos dias cerca de 37 bilhões.

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