Luis Nassif
A explosão do mercado de consumo brasileiro está promovendo mudanças estruturais em inúmeros setores, cada qual exigindo um reformador de peso, capaz de redefinir funções e papéis.
É o caso do mercado de saúde suplementar.
Nos últimos anos, ter um plano de saúde tornou-se o terceiro objeto de desejo da ascendente classe C - logo após a casa própria e a educação para os filhos. Tornou-se demanda central nos acordos coletivos e na própria atuação dos sindicatos.
Essa explosão de demanda criou uma nova realidade que atropelou o velho modelo. Há uma efervescência, um mercado em plena mutação mas amarrado aos paradigmas do velho mercado.
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No universo da saúde suplementar convivem os seguintes personagens:
1. As empresas que vendem planos de saúde.
2. Os prestadores de serviços: hospitais, clínicas, médicos, laboratórios etc.
3. A ANS (Agência Nacional de Saúde), órgão regulador.
4. O governo.
5. O público.
Os planos são a porta de entrada para a economia da saúde.
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É um sistema fundado no conceito de seguro. Ou seja, estimam-se os custos, sinistros e, a partir daí, calcula-se o valor da apólice. É uma aposta – como em todo seguro – com divewrsas variáveis em jogo.
1. A inflação do setor, com a introdução de novas tecnologias e novas demandas.
2. Uma pirâmide etária em mutação, com o envelhecimento da população.
3. A falta de protocolos médicos que limitem os gastos hospitalares ou as tecnologias desnecessárias.
4. A falta de limites ao número de consultas/ano.
5. Todos esses fatores são colocados em um plano recém-lançado. Depois disso, terá que se ater aos reajustes anuais autorizados pela ANS
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Pelo modelo atual, o único elo que assume o risco do seguro é a operadora.
Sendo assim, a única maneira de mitigar o risco é através de carteiras amplas. Por isso mesmo, as chamadas “majors” (as grandes seguradoras) marcharam para os planos empresariais e para os planos de adesão (ligados a associações profissionais e sindicatos). E os planos individuais ficaram restritos a pequenas seguradoras e ao sistema Unimed, caminhando para a extinção.
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No caso dos planos empresariais, o custo da apólice está amarrado aos sinistros. Se em determinado ano houver muitos sinistros, ocorrerá uma majoração da apólice. E, muito provavelmente, as empresas procurarão outros planos.
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O redesenho passa, entre outros, pelos seguintes pontos:
1. Os hospitais precisam aderir maciçamente ao sistema de protocolos – que definem a quantidade de procedimentos para cada internação. O que superar o protocolo correrá por conta e risco do hospital. Com esse enquadramento, será possível aos planos, inclusive, adquirirem pacotes de internação em hospitais.
2. Tem que haver uma integração de bancos de dados das operadoras de saúde, seja para evitar duplicação de exames e procedimentos, seja para orientar políticas de prevenção.
3. Há a necessidade da criação de um sistema de resseguros que garanta excedentes de consultas médicas per capita, por exemplo.
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São desafios à procura de um gestor. Mas o que se tem até agora, nas federações, na ANS e no proprio governo, é um vazio de ideias.
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