O clínico João Marcelo Goulart deverá trabalhar em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense
no Globo
Em agosto, quando a primeira leva de profissionais estrangeiros do programa Mais Médicos chegou ao Brasil havia, entre centenas de cubanos, um brasileiro que passara os últimos seis anos estudando em Havana. Não bastasse o detalhe da nacionalidade, um segundo pormenor distinguia João Marcelo Goulart, de 24 anos, dos demais: nascido em Porto Alegre e criado no Rio, ele é neto de João Goulart, o Jango, presidente do Brasil deposto pelo golpe militar de 1964.
Ex-estudante do Colégio da Cidade, em Ipanema, João Marcelo deverá trabalhar — como antecipou ontem a coluna Panorama Político, de Ilimar Franco, — em Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense. A previsão é que ele se integre à equipe de 20 médicos do programa no próximo mês.
Clínico geral, João Marcelo foi para Havana por intermédio da juventude do PDT, onde militava.
— Desde que decidi fazer Medicina, pensava em ir a Cuba. Como minha família tem um vínculo político forte, sabia que havia bolsas — ele explicou.
Já a escolha por trabalhar na Baixada foi feita em função da proximidade com a família (pai, mãe e um irmão moram no Rio), e da estrutura que, acredita, o município proporcionará.
— Quero ir o quanto antes, estou esperando sair o registro. Minha noiva (a médica equatoriana Sandra Pérez) já está lá, fazendo levantamento de campo, conhecendo comunidades. Nossa ideia é ficar no mínimo três anos.
Em paralelo, João Marcelo tem acompanhado o processo de exumação dos restos mortais do avô.
— Há dez anos a família tem dúvida se ele foi envenenado. E sempre surgem novos indícios, vindos de documentos e escutas telefônicas.
O resultado deve sair em seis meses:
— Toda essa homenagem que foi feita é importante, ainda que a exumação seja dolorosa. Será uma forma de recontar a história do país.
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