na Gazeta do Povo (via Boletim do NEMS-PR)
A comissão da
Assembleia Legislativa que analisou títulos de utilidade pública
no Paraná solicitou a presença de representantes do governo estadual, em
reunião na semana que vem, para explicar os vetos do governador
Beto Richa (PSDB)
ao projeto de lei que
endurecia as regras para concessão do título. Segundo eles, os vetos
deixam o projeto “sem sentido”, uma vez que permitem que escolas e
hospitais privados e suas mantenedoras
recebam o título de utilidade pública. Ao receber o título da
Assembleia, essas instituições ficam aptas a ter acesso a recursos
públicos, à isenção de impostos e a bens do Estado, como veículos e
imóveis.
Em
reunião na manhã desta terça-feira (11), os deputados membros da
comissão Pedro Lupion (DEM), Tercílio Turini (PPS), Mara Lima (PSDB) e
André Bueno
(PDT) decidiram chamar assessores jurídicos do governo para explicar as
razões para o veto. A proposta da comissão era de que entidades ligadas
a um grupo restrito de pessoas não pudessem receber os benefícios.
Regras
Ao ser declarada de utilidade pública, uma entidade pode ter acesso a:
• Recursos públicos;
• Isenção de impostos;
• Bens do Estado, como veículos e imóveis.
Pela legislação atual, para receber esses benefícios, é preciso:
• Existir legalmente há mais de um ano;
• Não distribuir lucros ou ter fins lucrativos;
• Prestar contas anualmente ao Tribunal de Contas, sob pena de ter o título cassado.
É exigido da entidade:
•
Que seja comprovado real interesse público nas atividades
desenvolvidas. Entidades restritas a um grupo de pessoas, como
sociedades comerciais, sindicatos
e associações de classe, não poderão mais se enquadrar na lei.
Hospitais e escolas particulares e suas mantenedoras foram excluídas da
categoria e podem manter os títulos;
• Que a cada cinco anos, as entidades solicitem a manutenção do título de utilidade pública à Assembleia;
• Que a entidade comunique ao Legislativo qualquer mudança no estatuto social, sob pena de ter o título cassado.
"Entendemos
que quem tem convênio com o poder público não deve visar lucro. No caso
de hospitais particulares sem certificado de benemerência e de escolas
particulares, não entendemos o porquê de ter título de utilidade
pública. A lei fica sem motivo", afirma o deputado
Pedro Lupion (DEM).
Segundo o deputado
Tadeu Veneri (PT), um dos membros da comissão, foi constatado que
muitas entidades requerem o título estadual para facilitar a obtenção
do título de utilidade pública federal – o que garantia acesso a mais
recursos públicos. A comissão está preparando
uma estimativa de quantas entidades paranaenses de grupos privados
receberam recursos do governo do estado ou da União.
O
governo também riscou do projeto original a necessidade de o prefeito
ou o juiz do foro atestar o funcionamento da entidade a cada cinco anos
para que
o título seja renovado. Também foi vedada a prerrogativa de a
Assembleia emitir certidões para as entidades que tiverem os benefícios
renovados. Se a certidão fosse negada, o título poderia ser revogado.
Procurada, a assessoria da
Secretaria de Governo afirma que o governo irá se posicionar
sobre a questão durante a audiência da semana que vem, que acontecerá na
próxima terça-feira (18), na Assembleia.
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