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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Programa de saúde indígena prevê atendimento psicológico

Chefe do Dsei diz que acompanhamento é fundamental para impedir o crescimento de problemas

Agência Brasil

BRASÍLIA - Garantir a saúde mental e o bem-estar emocional de indígenas ainda representa um grande desafio que o Brasil precisa superar. A avaliação é do chefe do Distrito Especial de Saúde Indígena (Dsei) do Alto Rio Solimões, Plínio da Cruz.

Em entrevista à Agência Brasil, ele ressaltou que, nesse sentido, o acompanhamento e o cuidado com os povos indígenas é fundamental para impedir o crescimento de problemas que atualmente afetam essas populações, sobretudo na região que representa, como o consumo exagerado de bebida alcoólica, a incidência de casos de violência e o uso de entorpecentes. O Dsei é responsável por seis municípios e aproximadamente 42.093 indígenas.

"É evidente que o alcoolismo, a violência e o consumo de drogas estão relacionados à saúde mental e emocional dos indígenas. Enquanto instituição, somos responsáveis pela saúde desses povos e por isso temos que pensar em avançar em questões que são extremamente necessárias para impedir esses problemas", considerou.

No caminho rumo à garantia desse objetivo (saúde mental e emocional dos indígenas), a equipe do Dsei do Alto Solimões iniciou em outubro do ano passado um trabalho pioneiro no interior do Amazonas: a implantação do programa de Saúde Mental Indígena.

Além de Manaus, somente a unidade representativa da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) na região do Alto Rio Solimões conta com a atuação de um psicólogo para atendimento direto aos povos indígenas. Com esse profissional, o trabalho da instituição cresce no sentido dos diálogos, nas orientações individuais e familiares e com o esclarecimento de dúvidas entre os adolescentes.

Segundo Cruz, um número maior de profissionais, como psicólogos e assistentes sociais, poderia contribuir para a resolução dos problemas.

"A atuação da psicóloga em nosso distrito vai ajudar na prevenção de problemas relacionados aos casos de violência e alcoolismo. É um trabalho pioneiro e, portanto, com muitas dificuldades e desafios. Estamos nos organizando para estruturação dessa atividade, levantando dados e buscando contribuir não só com a nossa região, mas com o estado para garantir o alcance do nosso objetivo", disse.

A psicóloga responsável pela implantação do programa de Saúde Mental Indígena do Dsei no Alto Rio Solimões é Karina Paranhos. Ela ressaltou que a prevenção e a promoção da saúde desses povos, com respeito aos seus costumes e tradições é o principal objetivo do programa.

"Ainda estamos numa fase experimental. Fazê-los entender sobre a saúde mental e emocional é um grande desafio. Os povos indígenas com os quais trabalhamos ainda não entendem o que é um psicólogo. Me chamam de enfermeira", contou a psicóloga.


COMENTÁRIO: (recebi do meu amigo João Pedro, pai do João Miguel que é colega do João)

Mário,
Acho muito importante esta iniciativa, inclusive na semana passada, no II Seminário sobre Dto Indigena, um Guarani "cobrou" este tipo de atendimento. Aqui em Rio das Cobras temos o maior índice de alcoolismo em aldeias no Brasil.
Ao mesmo tempo, acho que será um grande desafio por parte dos profissionais; terão de aprender como o indio pensa, o que ñ é muito fácil. Se vc puder assista um filme ( premiado em 1 lugar no festival de cinema em SP), chama-se Terra Vermelha ( tem na Vídeo 1). Trata da questão dos G. Kaiowas de Dourados - Ms e o suicídio em massa. Ser psicólogo de indio implica, no mínimo, em entender que nossa sociedade vive sob o Tempo e os indios sobre o Tempo dos acontecimentos cotidianos.Esta é a raiz das mazelas nas aldeias; quando interagem com nosso jeito de ser alguns indios ficam pirados, encurralados psicológicamente. O padrão mental é diferente e daí vem o conflito. No meu entendimento os psicólogos terão de se aprofundar na essência do ser indio... acho que vão precisar de psicólogos ..he he he ou vão acabar consultando os pajés.
Um abraço,
JP

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