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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Selvageria

Operação de combate ao desmatamento ilegal embargou área equivalente a 130 campos de futebol

Turvo - A operação Angustifolia, que reúne agentes federais e estaduais de várias instituições para o combate ao desmatamento e ao trabalho ilegal, está concentrando esforços também para desestruturar a rede que abastece siderúrgicas com carvão feito de madeira nativa no Centro-Sul do Paraná.

Nos quatro dias de operação, foram emitidos 66 autos de infração por diversas irregularidades, que resultaram em R$ 1,7 milhão em multas e três prisões. Nos seis meses que antecederam a Angustifolia, o Ibama lavrou 31 autos de infração no Centro-Sul do Paraná, com multas que totalizam R$ 6 milhões, e apreendeu 1,3 mil metros cúbicos de madeira – quantidade suficiente para encher 86 caminhões.

Os 223 agentes da Polícia Federal, do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Força Verde devem vistoriar 1,1 mil fornos de carvão durante as duas semanas da operação. Uma das 21 equipes em que a Angustifolia foi dividida destruiu nove fornos de carvão ontem. Três fornos eram clandestinos e seis estavam funcionando com licença vencida. Foram encontradas 800 sacas de carvão. Os responsáveis pelos fornos serão multados em pelo menos R$ 15 mil cada.

Inibir a atividade em fornos clandestinos de carvão é essencial porque a maior parte da madeira cortada no Paraná é usada como fonte de energia. As toras viram carvão vegetal ou alimentam, na forma de lenha e cavaco, fornos e caldeiras. E, pelos cálculos do Instituto Nacional de Eficiência Energética (Inee), a metade do material vegetal usado para produzir energia vem de matas nativas. Em recentes fiscalizações, o Ibama encontrou fornos de carvão e picadores de madeira abastecidos com araucária, cedro e até imbuia.

Uma grande quantidade do que é produzido de carvão no Paraná é usada nas usinas siderúrgicas de Minas Gerais. Assim, araucárias cortadas no estado estariam sendo usadas para fabricar aço e ferro gusa. A “importação” de carvão paranaense seria uma forma de burlar uma rigorosa lei mineira: todo o produto queimado nas caldeiras das usinas só pode vir de madeira de florestas plantadas. Os fornos usam tecnologia milenar e arcaica.

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