Por Patrus Ananias, no Blog do Nassif
Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
A crise financeira que partiu dos países mais ricos em direção ao resto do mundo está dividindo os ônus com todos os outros países. O Brasil, claro, não está completamente imune, embora esteja muito menos vulnerável e coloca-se hoje entre os países com melhores condições de reagir e promover uma retomada de crescimento consistente. Isso é uma comprovação da acertada orientação da política econômica do governo Lula. Mas é também uma demonstração objetiva de que as políticas sociais podem blindar as economias.
Elas protegem os mais desfavorecidos dos efeitos da crise, com o propósito de procurar atacar os desequilíbrios do mercado; elas protegem o poder de compra dos mais pobres, mantendo aquecido o mercado interno, o que ajuda diretamente as pequenas economias, barrando o ciclo da crise.
Um estudo realizado pelo economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, e publicado recentemente, mostra a crise atingindo principalmente os mais ricos: entre janeiro e abril deste ano, houve uma queda de 8,7% na renda média individual das pessoas das classes A e B nas seis principais regiões metropolitanas comparado com o mesmo período do ano passado. Influência da crise global, que atingiu principalmente setores que estão, direta ou indiretamente, ligados ao desempenho do mercado externo.
Por outro lado, no mesmo período, a renda média das pessoas de classe C cresceu 3,9%. A mesma parcela da população que em janeiro deste ano havia perdido para as classes D e E 11% de todo o crescimento que experimentou no governo do presidente Lula. Ou seja, foram muito menos afetados pela crise e estão com elevada capacidade de reação.
Qual o papel das políticas sociais nesse quadro? De que maneira elas contribuem para que o país se mantenha em condições de responder satisfatoriamente, mesmo em situações críticas? Entre os dias 5 e 7 de agosto, promoveremos, em Brasília, o Simpósio Internacional sobre Desenvolvimento Social onde essas e outras perguntas estarão em pauta. Estarão reunidos estudiosos, pesquisadores e representantes de vários países, debatendo modelos e políticas públicas voltadas para o desenvolvimento social postas em prática em países da Europa, África, América Latina e Ásia.
Os resultados que estamos alcançando com as políticas sociais no Brasil colocam nossa experiência em evidência. Temos firmado acordos de cooperação com países da América Latina, da África e do Leste Europeu, inclusive com apoio de instituições internacionais de fomento, como o Banco Mundial. Mas temos muito a aprender. Entramos no debate com a perspectiva de promover a troca que enriquece nossa possibilidade de análise e de planejamento.
O exemplo do que vem acontecendo com a classe C exemplifica o poder das políticas sociais. Afinal é um segmento que vem crescendo justamente a partir do efeito dessas políticas. Ao mesmo tempo, é interessante perguntar: para onde vai o dinheiro dessas pessoas? Onde eles estão empregando o dinheiro que estão gastando a mais.
Com base em pesquisas anteriores que avaliaram impacto de nossos programas sociais, podemos fazer algumas inferências sobre hábitos de consumo dessa parcela da população. Já foi comprovado que os beneficiários do Bolsa Família empregam a maior parte do dinheiro do benefício com alimentos. Logo em seguida vêm as despesas com material escolar, roupa, material de construção para pequenas reformas. Um estudo do Ibase mostrou que esses mesmos beneficiários estão também tendo acesso a crédito e, com isso, comprando bens duráveis, principalmente geladeira e fogão.
O dinheiro dos mais pobres é gasto por aqui mesmo, alimenta o comércio local, gera oportunidades de negócio e, consequentemente, de trabalho e renda. É um dinheiro que dinamiza as economias locais, promove o desenvolvimento econômico. Mas também há algo que ainda não temos como medir com pesquisas, mas que podemos perceber conversando com as pessoas. Em uma publicação feita pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome uma reportagem mostrou a história de uma beneficiária que, com a ajuda do Bolsa Família, está conseguindo manter as três filhas em cursos de informática e inglês. As pessoas usam os benefícios para melhorar de vida, para crescer, para avançar nos seus direitos e oportunidades. Assim, quebra aquele elo danoso que faz a pobreza passar de uma geração para outra.
O que nós queremos é que as oportunidades passem de uma geração para outra. E que continuem crescendo até que estejam acessíveis para todos e que todos cresçam junto com o país. Com as políticas sociais já provamos que é possível aliar desenvolvimento econômico com justiça social.
Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
A crise financeira que partiu dos países mais ricos em direção ao resto do mundo está dividindo os ônus com todos os outros países. O Brasil, claro, não está completamente imune, embora esteja muito menos vulnerável e coloca-se hoje entre os países com melhores condições de reagir e promover uma retomada de crescimento consistente. Isso é uma comprovação da acertada orientação da política econômica do governo Lula. Mas é também uma demonstração objetiva de que as políticas sociais podem blindar as economias.
Elas protegem os mais desfavorecidos dos efeitos da crise, com o propósito de procurar atacar os desequilíbrios do mercado; elas protegem o poder de compra dos mais pobres, mantendo aquecido o mercado interno, o que ajuda diretamente as pequenas economias, barrando o ciclo da crise.
Um estudo realizado pelo economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, e publicado recentemente, mostra a crise atingindo principalmente os mais ricos: entre janeiro e abril deste ano, houve uma queda de 8,7% na renda média individual das pessoas das classes A e B nas seis principais regiões metropolitanas comparado com o mesmo período do ano passado. Influência da crise global, que atingiu principalmente setores que estão, direta ou indiretamente, ligados ao desempenho do mercado externo.
Por outro lado, no mesmo período, a renda média das pessoas de classe C cresceu 3,9%. A mesma parcela da população que em janeiro deste ano havia perdido para as classes D e E 11% de todo o crescimento que experimentou no governo do presidente Lula. Ou seja, foram muito menos afetados pela crise e estão com elevada capacidade de reação.
Qual o papel das políticas sociais nesse quadro? De que maneira elas contribuem para que o país se mantenha em condições de responder satisfatoriamente, mesmo em situações críticas? Entre os dias 5 e 7 de agosto, promoveremos, em Brasília, o Simpósio Internacional sobre Desenvolvimento Social onde essas e outras perguntas estarão em pauta. Estarão reunidos estudiosos, pesquisadores e representantes de vários países, debatendo modelos e políticas públicas voltadas para o desenvolvimento social postas em prática em países da Europa, África, América Latina e Ásia.
Os resultados que estamos alcançando com as políticas sociais no Brasil colocam nossa experiência em evidência. Temos firmado acordos de cooperação com países da América Latina, da África e do Leste Europeu, inclusive com apoio de instituições internacionais de fomento, como o Banco Mundial. Mas temos muito a aprender. Entramos no debate com a perspectiva de promover a troca que enriquece nossa possibilidade de análise e de planejamento.
O exemplo do que vem acontecendo com a classe C exemplifica o poder das políticas sociais. Afinal é um segmento que vem crescendo justamente a partir do efeito dessas políticas. Ao mesmo tempo, é interessante perguntar: para onde vai o dinheiro dessas pessoas? Onde eles estão empregando o dinheiro que estão gastando a mais.
Com base em pesquisas anteriores que avaliaram impacto de nossos programas sociais, podemos fazer algumas inferências sobre hábitos de consumo dessa parcela da população. Já foi comprovado que os beneficiários do Bolsa Família empregam a maior parte do dinheiro do benefício com alimentos. Logo em seguida vêm as despesas com material escolar, roupa, material de construção para pequenas reformas. Um estudo do Ibase mostrou que esses mesmos beneficiários estão também tendo acesso a crédito e, com isso, comprando bens duráveis, principalmente geladeira e fogão.
O dinheiro dos mais pobres é gasto por aqui mesmo, alimenta o comércio local, gera oportunidades de negócio e, consequentemente, de trabalho e renda. É um dinheiro que dinamiza as economias locais, promove o desenvolvimento econômico. Mas também há algo que ainda não temos como medir com pesquisas, mas que podemos perceber conversando com as pessoas. Em uma publicação feita pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome uma reportagem mostrou a história de uma beneficiária que, com a ajuda do Bolsa Família, está conseguindo manter as três filhas em cursos de informática e inglês. As pessoas usam os benefícios para melhorar de vida, para crescer, para avançar nos seus direitos e oportunidades. Assim, quebra aquele elo danoso que faz a pobreza passar de uma geração para outra.
O que nós queremos é que as oportunidades passem de uma geração para outra. E que continuem crescendo até que estejam acessíveis para todos e que todos cresçam junto com o país. Com as políticas sociais já provamos que é possível aliar desenvolvimento econômico com justiça social.
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