Maggie Fox, REUTERS
WASHINGTON - Chamando o vírus H1N1 de "incontrolável", a Organização Mundial de Saúde (OMS) deu sinal verde pleno nesta segunda-feira para os fabricantes de medicamentos produzirem vacinas contra a doença. Os trabalhadores em saúde devem ser os primeiros a receber o remédio, segundo a OMS.
Todos os países precisarão vacinar as pessoas contra a gripe H1N1 e devem escolher quem terá a prioridade depois de enfermeiras, médicos e agentes de saúde, segundo Marie-Paule Kieny, diretora da OMS, responsável pela área de vacinas.
Relatos mostram que o novo vírus ataca de forma diferente a da gripe normal, afetando os jovens, os muito obesos e os adultos aparentemente saudáveis e atacando com força os pulmões.
A gripe sazonal é também severa, está envolvida por ano em de 250 mil a 500 mil mortes no mundo. A maioria são de idosos ou pessoas com doenças crônicas, mais vulneráveis.
Kieny falou aos jornalistas sobre as descobertas do grupo de especialistas da OMS sobre imunização.
- O comitê reconheceu que a pandemia de H1N1 é incontrolável, e assim todos os países precisam ter acesso à vacina.
- O grupo reconheceu que trabalhadores em saúde devem ser imunizados em todos os países para manter o sistema de saúde funcionando - completou ela.
VANTAGEM DOS MAIS IDOSOS
Os mais velhos parecem ter uma imunidade extra ao novo vírus H1N1, primo distante do H1N1 que causou a pandemia de 1918, quando morreram de 50 milhões a 100 milhões de pessoas.
Um estudo publicado na Nature nesta segunda-feira confirma que o sangue de pessoas nascidas antes de 1920 têm anticorpos contra a gripe de 1918, sugerindo que o sistema imunológico se lembraria de uma infecção na infância.
O trabalho do pesquisador Yoshihiro Kawaoka vai ao encontro de outros estudos segundo os quais o novo H1N1 não permanece no nariz e na garganta, como muitos dos vírus das gripes comuns.
- O vírus H1N1 se desenvolve melhor nos pulmões - declarou Kawaoka.
Outros estudos apontam que o vírus causa efeitos gastrointestinais e ataca pessoas que não seriam vistas como de grupos de risco.
- A obesidade tem sido considerada um dos fatores de risco para reações mais graves ao H1N1 - declarou Kieny, da OMS.
Para a OMS, os países devem continuar com os seus programas de vacinação contra a gripe sazonal, bastante ativa, agora, no inverno do Hemisfério Sul.
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