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Donde se conclui que a saúde do povo não passa de uma questão político-partidária. Ou, para sermos mais condescendentes com o líder do governo, pedidos de deputados não precisam ser apresentados porque todas as cidades já estão muito bem equipadas com aparelhos médicos.
Pois bem: considerando apenas 80 cidades do Paraná (só 20% dos municípios do estado), o balanço de necessidades urgentes forma uma lista de 171 solicitações! Dessas solicitações, 26 correspondem a aparelhos de raios-x, 17 a ambulâncias, 13 a eletrocardiógrafos, 7 a mamógrafos.
Os secretários estariam exagerando nos seus pedidos? É melhor fazer essa pergunta ao povo que precisa viajar de um lugar para outro às vezes só para fazer um simples raios-x da perna quebrada.
A lista está muito incompleta. A Comissão de Saúde, segundo informa seu presidente, deputado Ney Leprevost (que se classifica de independente e não de oposição), espera o recebimento dos 319 questionários que faltam para encaminhar os resultados à Secretaria da Saúde. Lá também estará registrado o conceito (excelente, bom ou ruim) que os municípios fazem do trabalho do governo estadual no setor de saúde.
COMENTÁRIO: É altamente louvável que a Comissão de Saúde da Assembléia demonstre preocupação com as deficiências do setor saúde em nosso estado. No entanto, a pretensa polêmica levantada com a tabulação dos "desejos" dos secretários municipais de saúde tem que ser encarada com muita cautela.
Não existe condição mínima de dotar cada um dos municípios do Paraná com seu próprio hospital (geralmente batizado com o nome da mãe do prefeito), mamógrafo, raio X, UTI, Ressonância Magnética, heliponto, ambulância UTI etc etc etc...
Todas as demandas tem que ser consideradas dentro de uma lógica de "economia de escala". Ou exemplificando: a base populacional necessária para que um serviço de imagens ou um hospital ser auto-sustentável é de 100 a 150 mil pessoas!
80% dos nossos municípios tem menos de 20 mil habitantes.
Um hospital, ou serviço de processamento de imagens instalado em local sem base populacional, vai acabar produzindo serviços "precisando ou não" de forma a tentar cobrir os seus custos operacionais. É o que é chamado de "Lei da Oferta". Todos os serviços tenderão a operar no auge de sua capacidade instalada, quer a população precise, quer não. Em uma inversão do paradigma, a demanda acaba sendo regulada pela oferta. Um hospital municipal - ou um equipamento mais complexo - instalado em um município de menos de 20 000 habitantes "come o gestor pela perna" e acaba inviabilizando o desenvolvimento de outras políticas de saúde.
Então fica combinado: Quando o gestor enumera entre suas demandas que ele precisa de um mamógrafo, fica entendido que ele pretendeu dizer:
"Minha população precisa ter acesso a mamografia"
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