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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Robin Trower grava ao vivo com Jack Bruce, ex-Cream, e lança novo solo

Ricardo Schott, Jornal do Brasil

RIO - O inglês Robin Trower, 64 anos, tem dois predicados a lhe perseguir. Para muitos, ele é o eterno guitarrista do Procol Harum – banda do fim dos anos 60 cujo único grande hit mundial, a romântica e progressiva A whiter shade of pale, de 1967, foi gravado antes que Trower ingressasse. Vários fãs de rock clássico, no entanto, o reconhecem como o músico que, após a morte de Jimi Hendrix em 1970, passou a ser insistentemente chamado de “o novo Hendrix” por vários críticos. Comparação que não soa mal feita após a audição de alguns de seus álbuns clássicos, como Bridge of sighs (1974, considerado por muitos seu ponto alto) e dos dois discos que lança quase simultaneamente, o 24º solo What lies beneath e o CD ao vivo (que vira DVD em setembro) Seven moons live, dividido com o amigo Jack Bruce, ex-baixista do Cream.

– Acho que qualquer comparação com Hendrix não é justa porque ele era um gênio. Para mim, claro, é ótimo ter meu nome ao lado de alguém tão abençoado musicalmente – comenta Trower, que, embora poucos saibam, não teve participação alguma em A whiter shade of pale. – Mas acho que ela seja uma excelente canção, ainda que eu nem tenha tocado durante suas gravações.

Longe do Procol Harum, é voz corrente entre guitarristas que Trower conseguiu uma assinatura sonora bastante consistente – audível nos vários lançamentos simultâneos e projetos aos quais se entregou. Um dos mais conhecidos foi o power trio que formou com Bruce e com o baterista Bill Lordan – que resultou no disco B.L.T. (1980) e em Truce (1982), este com Reg Isidore nas baquetas. A dupla voltou a se encontrar em Seven moons, gravado em estúdio e lançado em 2008 – o disco ao vivo relê algumas músicas do álbum e as acresce de pérolas do Cream (White room, Sunshine of your love) e de B.L.T0. (Carmen).

– Antes mesmo de conhecer Bruce pessoalmente eu já era seu fã – recorda. – Para Seven moons, quis voltar a estar num trio e ele foi minha primeira opção. Nos reaproximamos quando o ajudei na remixagem de seus primeiros discos solo. Ele queria incluir músicas novas nos relançamentos, aí decidimos fazer um disco inteiro.

Para os dois lançamentos, Trower escolheu linguagens diferentes. Sobre White lies beneath paira o progressivismo que já aparecia em seus solos anteriores – em músicas como As you watch each city fall, em duas partes – com direito a arranjos de orquestra. O material feito ao lado de Bruce, por sua vez, é um rock tipicamente de power trio, com a adição do baterista Gary Husband. Voltado ao jazz, Husband, 49 anos, já havia tocado com Bruce e com o guitarrista John McLaughlin.

– Bruce tem grande admiração por Husband. Foi ele quem o trouxe – lembra Trower, ciente da paixão que trios como o Cream e o Jimi Hendrix Experience despertam nos fãs de rock. – A guitarra ganha mais liberdade de expressão quando está só ao lado do baixo e da bateria. Mas muitos esquecem que quem estabeleceu o formato guitarra-baixo-bateria como o ideal foi o Who, um quarteto.

Conversando com o Jornal do Brasil, uma novidade que Trower ouviu foi o fato de ter fãs por aqui – ainda que poucos de seus discos tenham ganhado edição nacional.

– Não sabia disso. Ficaria feliz de ser contatado por algum deles – diz o guitarrista, que, workaholic, não descarta nem mesmo a possibilidade de se reunir a seus ex-companheiros de Procol Harum, que planejam uma reunião. – Eles estão trabalhando num material novo e vou participar. Só não posso me juntar à banda para shows porque estou muito ocupado com meus discos.

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