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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Tapumes e correntes lacram entradas dos prontos-socorros da Santa Casa e Evangélico em Londrina


Médicos plantonistas cumpriram a promessa e suspenderam o atendimento aos pacientes do SUS. Movimento no início da manhã era considerado tranquilo nos hospitais

no Jornal de Londrina

Os médicos plantonistas de Londrina cumpriram a promessa e paralisaram, às 7h desta sexta-feira (13), o atendimento aos pacientes do SUS nos prontos-socorros (PS) da Santa Casa, Evangélico e Infantil. A interrupção foi provocada pela suspensão da prefeitura do pagamento do incentivo por plantão à distância. Nos três hospitais são atendidos, em média, 400 pacientes diariamente.

Na Santa Casa, tapumes de madeiras, utilizados em construção, lacraram as portas do pronto-socorro. Segundo o diretor-clínico do hospital, Weber de Arruda Leite, a medida foi adotada para evitar qualquer tipo de depredação ou atos de vandalismo. Ele informou que apenas uma pessoa procurou atendimento na unidade no início da manhã e foi orientada a buscar assistência médica nos hospitais públicos.

Serviços de emergências ainda não encontram dificuldades para encaminhar pacientes

Os serviços de atendimento de emergência Siate e Samu estão atendendo normalmente nesta sexta-feira. No entanto, para facilitar o encaminhamento dos pacientes foi traçado um plano de ação para realizar a triagem de todos os casos.

Segundo o capitão Luiz Alberto Bueno Cândido, do Corpo de Bombeiros, todas as ocorrências do período da manhã tiveram encaminhamentos rápidos. No entanto, ele não descartou que possa ocorrer uma demora de atendimento no transcorrer do dia. “Com o aumento dos acidentes podemos demorar a encontrar vagas nos hospitais e teremos que esperar mais para entrar os pacientes. Isso pode gerar uma demora no atendimento de outras ocorrências. Por isso, desde já pedimos paciência para a população”, disse.

O capitão explicou que já solicitou apoio, caso seja necessário, das unidades das cidades próximas a Londrina, principalmente, na transferência de pacientes para hospitais da região. “Estamos unindo todos os esforços para atender da melhor maneira possível”, afirmou.

Leite afirmou que todos os pacientes que foram atendidos durante o plantão da madrugada continuam sendo assistidos pelo corpo clínico do hospital. “Por enquanto, a situação está tranquila e não está ocorrendo procura na Santa Casa. Para os pacientes internados durante a madrugada o atendimento não foi suspenso”, disse.

No Evangélico, três seguranças e uma corrente fecharam a entrada do PS. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, a procura de pacientes por atendimento foi pequena e as pessoas foram orientadas a procurar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

A falta de médicos obrigou a direção do Hospital do Câncer a cancelar consultas que estavam agendadas. De acordo com o diretor da instituição, Nelson Dequech, os outros atendimentos estão ocorrendo normalmente. Ele disse que o “impacto não será tão grande como nos outros hospitais, pois o pronto-socorro é oncológico [tratamento de câncer]”. Dezenas de pessoas tiveram que voltar para casa, pois não foram atendidas. Um dos casos foi o da paciente Maria do Carmo de Oliveira, 60 anos, que mora em Jaguapitã, a 55 km/h de Londrina. Ela relatou que tem um tumor na axila direita e tinha uma consulta agendada para o dia 27 de novembro, no entanto, como sente muitas dores conseguiu antecipar o atendimento para esta sexta. “Cheguei aqui e não fui atendida. Remarcaram a minha consulta para o dia 4 de dezembro. Preciso tomar morfina a cada quatro horas para aliviar a dor e não consegui a receita do remédio. Vou voltar para a casa do mesmo jeito que cheguei aqui, com muita dor”, disse.

No Hospital Universitário (HU), que deverá receber a maior demanda dos pacientes, o movimento, no início da manhã, também era considerado tranquilo. Para evitar superlotação no hospital, a direção está restringindo o atendimento. Todos os casos estão sendo triados e os pacientes só são internados com a autorização da direção.

Faltam médicos nas Unidades Básicas de Saúde

Com a paralisação dos prontos-socorros dos hospitais filantrópicos, a demanda de atendimento está sendo encaminhada para unidades hospitalares estaduais e para as Unidades Básicas de Saúde (UBS). No entanto, em algumas UBS não há a presença de médicos.

Dagmar Souza, 40 anos, moradora do Conjunto Ernani Moura Lima, zona norte, relatou que procurou a unidade do bairro para buscar atendimento, pois estava com o pulso aberto. Para a surpresa dela, no local não havia nenhum médico para atendê-la. Uma auxiliar de enfermagem preencheu um encaminhamento para o Hospital da Zona Norte (HZN).

Ao chegar no HZN, contudo, Dagmar não foi atendida de imediato, pois, segundo a diretora-geral do hospital, Andreza Daeir Delfino Sentonne, “seriam atendidos somente os pacientes encaminhados pelos serviços de emergência Siate e Samu”. No entanto, a presença da reportagem do JL facilitou o atendimento a Dagmar.

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