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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Ligações perigosas: com quem se relacionam os conselheiros da CTNBio

no Brasil de Fato

Um rápido cruzamento de informações (obtidas na internet) sobre as principais proponentes de novas variedades transgênicas – as transnacionais Monsanto, Bayer, Syngenta, Dow AgroSciences, Basf e outras do setor – com conselheiros e instituições que têm representantes na CTNBio, resultou em dados preocupantes, possivelmente passíveis de caracterização de conflito de interesses na CTNBio.

Quanto às instituições, confira os casos de Embrapa e USP, que juntas têm ao menos 14 conselheiros na Comissão:

Embrapa

• A empresa mantém uma parceria com a Monsanto desde 1997 (com vigência até 2012) para o desenvolvimento de tecnologias para soja transgênica. No início de novembro de 2009, a Monsanto repassou mais R$ 8,3 milhões para a Embrapa a título de pagamento de royalties, para desenvolvimento de oito projetos de biotecnologia.

• A Syngenta, que em 2008 “apresentou interesse em desenvolver com a Embrapa cultivares melhoradas de milho para mercados específicos e tecnologias inovadoras relativas ao cultivo de cana de açúcar”, co-patrocinou o desenvolvimento da variedade de arroz BRS Talento, da Embrapa Arroz e Feijão, e co-desenvolveu, com a Embrapa Milho e Sorgo, a avaliação da eficiência de fungicidas no controle da cercosporiose (cercospora zeae-maydis) na cultura do milho.

• Em 2007, a Embrapa fechou um acordo de cooperação com a Basf para desenvolvimento de uma nova variedade de soja transgênica a partir do gene AHAS (ácido hidroxiacético sintase, que confere tolerância aos herbicidas do grupo químico das imidazolinonas).

USP

• Em 2008, a Monsanto fechou um acordo com a Fundação de Apoio à USP para oferecer bolsas de pesquisa científica a alunos do 1º e do 2º anos do ensino médio da rede paulista, no valor de R$ 150 e com duração de um ano. O acordo foi duramente criticado pela Associação de Docentes da USP.

• Em 2008, a Syngenta lançou um bioativador que pode contribuir para o crescimento da produtividade da cana, o Actara, desenvolvido em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), entre outros.

• A Bayer patrocinou a modernização do prédio da Faculdade de Medicina da USP, tombado pelo Condephaat.

• A Agência USP de Inovação é parceira do Programa Bayer Jovens Embaixadores Ambientais, do Grupo Bayer e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

• A USP, por meio da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, é parceira do Prêmio Bayer Jovem Farmacêutico.

• A Basf e a USP, por intermédio do seu Instituto de Química, são parceiras do Projeto Reação – educando para vida.

• A Basf patrocinou a restauração de fachada de prédios Esalq/USP em março de 2002.

• A USP participou das pesquisas de desenvolvimento do Standak® Top, fungicida da Basf.


Quanto aos conselheiros, a pesquisa resultou que:


Maria Lucia Zaidan Dagli, especialista na área animal (USP)

Recebeu o premio I PIC – Prêmio Impacto Científico da FMVZ – USP, 2005-2006, patrocinado por Bayer Saúde Animal e Novartis Saúde Animal Ltda., entre outros.

Giancarlo Pasquali, especialista na área de meio ambiente (UFRGS)

Representa a UFRGS na Rede Genolyptus, constituída por universidades e empresas como Aracruz Celulose S.A., Klabin, Veracel Celulose S.A., Votorantim Celulose e Papel S.A., entre outros (a CTNBio já liberou 12 experimentos de campo com variedades transgênicas de eucalipto). Foi consultor técnico do Guia do Eucalipto, do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB, que tem entre seus sócios Monsanto, Du Pont, Cargill, Pionner Sementes Ltda. e Bayer Seeds Ltda), sobre eucalipto geneticamente modificado.

Luiz Antônio Barreto de Castro, representante do MCT

Foi um dos coordenadores da equipe que celebrou o contrato de cooperação técnica para desenvolvimento de cultivares de soja tolerante ao herbicida Roundup, em 1997, cujas instituições promotoras/financiadoras foram Embrapa e Monsanto. Em 2002, foi reeleito membro do conselho científico da Associação Nacional de Biossegurança (Anbio), que tem entre seus sócios a Monsanto, Du Pont, Cargill, Pionner Sementes Ltda. e Bayer Seeds Ltda.

Francisco José Lima Aragão, especialista na área vegetal (Embrapa)

Lidera os projetos “Expressão de genes envolvidos com a resposta ao estresse hídrico em plantas transgênicas de feijoeiro” e “Desenvolvimento de estratégia baseada em RNAi para geração de mamoeiro resistente a múltiplas viroses”, que estão no âmbito da parceria Embrapa-Monsanto. Entre 1998 e 2000, integrou a pesquisa “Obtenção de feijoeiro resistente a glufosinato de amônio”, co-financiada pela Bayer do Brasil. Entre 1996 e 2002, coordenou a pesquisa “Obtenção de soja resistente a herbicidas da classe das imidazolinonas”, co-financiada pela Basf.

Aluízio Borém, especialista na área vegetal (UFV)

É membro (diretor de comunicação) da ONG Associação Brasileira de Tecnologia, Meio Ambiente e Agronegócios (Pró-Terra), que recebeu 161,790 mil dólares da Fundação Monsanto em 2005. Recebeu apoio pra escrever o livro "Biotecnologia e Meio Ambiente" da International Life Sciences Institute (ILSI), que tem em seu quadro de associados ADM – Archer Daniel Midland Co., BASF S/A, Bayer CropScience Ltda., Bunge Alimentos S/A, Cargill Agrícola S/A, Dow AgroSciences Industrial Ltda., Monsanto, Novartis, Syngenta, entre outros.

É co-autor do livro “Savanas, desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade, agronegócio e recursos naturais”, co-patrocinado pela Syngenta.

Maria Lucia Carneiro Vieira, especialista na área vegetal (USP)

Membro do CIB, que tem entre seus sócios a Monsanto, Du Pont, Cargill, Pionner Sementes Ltda, e Bayer Seeds Ltda., de 2003 a 2005.

Paulo Augusto Vianna Barroso, especialista na área vegetal (Embrapa)

Pesquisador do projeto da Embrapa Recursos Genéticos de desenvolvimento de duas variedades de algodão transgênico, que negociou as sementes com a Syngenta. Também integra pesquisa que propõe “a transferência dos transgene da empresa Monsanto para os genótipos de algodoeiro elite da Embrapa e a adequação do sistema de produção aos novos cultivares RR”.

João Lucio de Azevedo, especialista na área vegetal (USP)

O pesquisador é responsável-docente pelo projeto de pesquisa sobre Microrganismos Endofíticos: Genética e Biologia Molecular, financiado pela empresa Monsanto. Prestou consultoria técnica à Monsanto em 1999.

Alexandre Lima Nepomuceno, especialista em biotecnologia (UEL)

É co-autor do livro “Savanas, desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade, agronegócio e recursos naturais”, co-patrocinado pela Syngenta. É membro do CIB.

Flavio Finardi Filho, especialista em biotecnologia (USP)

Em 2005, recebeu homenagem à qualidade, excelência científica e originalidade da ANBio, entidade que tem entre seus sócios a Monsanto, Bayer e Syngenta. Fez o parecer técnico sobre segurança alimentar do Evento de Transformação LLRice62 (o arroz transgênico da Bayer) em 2002, com financiamento da Aventis Seeds Brasil.

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