Jornal de Londrina
A reitoria da Universidade Estadual de Londrina determinou ontem uma auditoria em uma conta poupança do Hospital Universitário (HU), que anunciou restrição no atendimento no Pronto Socorro a partir de 15 de fevereiro em razão de crise financeira. Não é a primeira vez que a reitoria e a superintendência do órgão se enfrentam e trocam acusações quanto a questões internas.
O HU ameaça diminuir a entrada de pacientes no atendimento de urgência e emergência como única forma de garantir a continuação do funcionamento diante de dívidas a receber da Prefeitura de Londrina que podem chegar a R$ 17 milhões em repasses do Sistema Único de Saúde (SUS). Ao mesmo tempo, o reitor Wilmar Marçal divulgou a existência de uma conta poupança vinculada ao HU, com saldo ontem de R$ 4,4 milhões, e classificou como “irresponsabilidade” a ameaça de diminuição do atendimento diante da existência de tais recursos. Hoje, às 9h30, a superintendência do HU participa de um ato público, quando as contas da instituição serão abertas à comunidade como forma de reafirmar as dificuldades financeiras do hospital.
“Como gestor não posso admitir que se paralisem atividades diante da existência do dinheiro”, afirmou o reitor Wilmar Marçal. “Então, que se comprem os medicamentos e os materiais necessários para atender a população.” O reitor qualificou como “pânico desnecessário” o anúncio da suspensão parcial dos atendimentos. Na auditoria na conta, Marçal pretende mostrar “quando a conta foi aberta, quais movimentações, quanto rendeu e a quem beneficiou”. Para ele, “o caso não me soa como honestidade”. Reportagem do JL, ontem, trouxe relatos da falta de medicamentos e insumos básicos – como soro – para pacientes.
Francisco Eugênio, superintendente do HU, sustenta que a conta poupança foi aberta em 2002 para obras cujos projetos foram abandonados e que, a partir de então, passou a ser usada como reserva para emergências – como no caso dos atrasos dos repasses e déficits provocados com aumento de demanda por atendimentos sem pagamento do SUS. “Quando em 2008 ficamos sem receber recursos ainda bem que tínhamos guardado dinheiro, destinado à compra de equipamentos, que acabaram aplicados na manutenção do hospital”, explica.
Eugênio diz que embora o saldo seja próximo a R$ 4,5 milhões, como anunciou a reitoria, R$ 2 milhões já estão comprometidos com pagamentos. “São serviços, insumos, materiais e medicamentos que já foram licitados.” O superintendente convocou o Tribunal de Contas do Paraná para auditar as finanças do HU “sem medo nenhum”. Respondeu que o custo de manutenção mensal da instituição é de R$ 3,5 milhões e que “o reitor está muito preocupado com uma conta conhecida por todos enquanto deixa de cobrar R$ 15 milhões devidos ao HU pela Prefeitura”.
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