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domingo, 5 de setembro de 2010

Campanha de Beto vive o temor da delação premiada do caso Sindimoc

no horaH News


As ligações perigosas do ex-prefeito de Curitiba, Beto Richa, com os dois sindicalistas presos na terça-feira pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado – GAECO, podem vir à tona se Valdenir Dias e Denilson Pires aceitarem as propostas de delação premiada formuladas pelo Ministério Público do Paraná.
Na manhã de terça-feira, 31 de agosto, o GAECO, do Ministério Público do Paraná, deflagrou investigação para apurar denúncias de irregularidades e desvio de verbas do Sindicato dos Motoristas e Cobradores do Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana – SINDIMOC.

Tanto o vereador Denilson Pires, presidente do Sindimoc, quanto Valdenir Dias, advogado da entidade, tem ligações estreitas com Beto Richa, candidato do PSDB ao governo do Paraná. Denílson, que é vereador pelo DEM, integra a base do prefeito na Câmara Municipal de Curitiba.

Valdenir Dias é presidente regional do PMN, partido da aliança de Richa na disputa pelo governo do Estado. As ligações do ex-prefeito com os sindicalistas vão muito além da sustentação política.

Valdenir preside a Federação das Associações de Moradores de Curitiba e Região Metropolitana (Femoclan), que mantém relação direta com a prefeitura da capital. Tanto representando o PMN como representando a Femoclan, Valdenir aparecia sempre ao lado de Richa em solenidades.

No dia 26 de junho, por exemplo, Valdenir acompanhou Beto Richa e Ricardo Barros (PP) na convenção estadual do DEM e teceu elogios ao ex-prefeito de Curitiba: “Estamos formando uma grande aliança em torno de um candidato inteligente, bom administrador, leal e correto”.

Na campanha de Richa ao governo, Valdenir é responsável pela ligação entre o comitê tucano e as associações de moradores. Organizava equipes de cabos eleitorais pagos para segurar as bandeiras e fazer a panfletagem para Beto Richa.

Denílson Pires e Valdenir Dias são investigados por formação de quadrilha, desvio de dinheiro do Sindimoc e uso de recursos para financiar campanhas políticas.

A possibilidade da delação premiada é considerada grande porque o escândalo investigado pelo GAECO envolve diversos crimes muito graves, o que aumenta a tendência de algum dos envolvidos buscar alívio de pena colaborando com a Justiça.

Consta nas investigações ainda que o mesmo grupo, tão ligado a Richa, que está à frente desse sindicato desde sua fundação, pode ter envolvimento em crimes de morte.

Nesse período em que controlaram o Sindimoc, o então presidente, Aristides da Silva, conhecido como “Tigrinho”, foi executado a tiros por pistoleiros na praia de Itapoá, Santa Catarina, em 1998.

Recentemente, o ex-diretor da entidade, Alcir Teixeira, conhecido como “Zico”, foi morto da mesma forma, em 2009, após afirmar que iria denunciar as irregularidades ao Ministério Público.

O Sindimoc tem um orçamento superior a R$ 10 milhões por ano, parte deste valor é repassada ao Sindicato em função do pagamento das passagens pelos usuários do sistema de transporte de Curitiba.
O sistema do transporte coletivo de Curitiba é considerado uma das grandes caixas-pretas da administração municipal. Tanto Valdenir Dias quanto Denílson Pires teriam muito a contar sobre isso se decidirem abrir a boca.

Junto com Valdenir Dias, que também é advogado do Sindimoc, e Denílson Pires, foram presos Valdecir Bolette (atual tesoureiro do Sindimoc) e Fátima Butinhoni (assessora do vereador).

Com os presos o Gaeco encontrou e apreendeu R$ 120 mil em dinheiro cuja origem não pode ser explicada. Na campanha de Beto Richa estão sendo desenvolvidas estratégias para evitar que as ligações notórias do ex-prefeito com os sindicalistas presos provoquem danos políticos maiores.

O grande temor alimentado pela campanha de Richa é o de que algum dos presos aceite fazer revelações sobre o que sabe sobre os bastidores da campanha tucana, em especial o que se refere aos financiamentos, com base no instituto da delação premiada.

Nesse caso, segundo algumas avaliações nos meios políticos, podem provocar danos irreversíveis à campanha do ex-prefeito, que já convive com outros escândalos em sua trajetória política.

Beto mostra toda cara de pau ao negar promessa de ficar na Prefeitura

O ex-prefeito Beto Richa deu uma demonstração de cinismo ao negar, durante a sabatina da Folha de S. Paulo/UOL, que tivesse prometido que cumpriria os quatro anos de mandato conquistados em 2008 na Prefeitura de Curitiba.

“Eu nunca disse que cumpriria quatro anos. O que eu disse é que o mandato é de quatro anos”, afirmou o ex-prefeito.

Beto Richa teve o desprazer de se ver desmentido pelas próprias palavras. Logo após fazer essa declaração na sabatina, o site do horaHnews postava uma gravação, feita durante a campanha de 2008, onde ele dizia literalmente: “É evidente que sendo candidato a reeleição, sendo eleito é para cumprir os quatro anos de mandato. Não tenho obsessão alguma de ocupar cargos ou posições. Não tenho obsessão de ser governador ou qualquer coisa”.

Durante a entrevista para a Folha/UOL o ex-prefeito fez outras declarações de flagrante incoerência para quem prometeu ficar quatro anos na prefeitura e deixou o cargo apenas um ano e três meses depois. Em certo momento, criticando seu adversário, Osmar Dias, afirmou: “Político tem que ser previsível. As pessoas que confiam na gente tem que saber que hoje eu estou aqui e amanhã eu vou estar aqui. Não vou estar do outro lado conforme as minhas conveniências pessoais de momento. Campanha se ganha ou se perde. Nós jamais podemos perder a vergonha, o respeito e a dignidade”.

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